Picture 1Aos 11 anos, Francislaine de Oliveira enfrentou pouco mais de 100 sessões de quimioterapia. “Era quase todos os dias”, recorda, hoje aos 21 anos, os tempos em que sofria de linfoma de hodgkin [câncer que afeta o sistema linfático]. “Ficava o dia inteiro no hospital. Dormia quase que o tempo todo. E não comia nada. Sentia muito enjoo”, diz. Mas ela conseguiu se curar. O que fazer? Seguir a cartilha de recomendações para evitar novo câncer? Nada. Aos 15 anos, começou a fumar.

Tentar descobrir por que uma pessoa que teve câncer resolve adotar um hábito que comprovadamente pode predispor ao problema motivou a psiquiatra Célia Lídia da Costa a pesquisar a incidência de tabagismo em pessoas que se recuperaram de câncer na infância.

Diretora do Grupo de Apoio ao Tabagista do Hospital A.C. Camargo, em São Paulo, há cerca de cinco anos ela iniciou a pesquisa com 278 adultos, que será publicada na revista Public Health. Cerca de 31% fumam ou fumavam. O resultado surpreende quando se compara o índice com a média da população fumante no Brasil – segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), 18%.

O espanto pode ocorrer com os leigos. Para Célia e outros especialistas, a contradição é apenas aparente. A psiquiatra diz ser comum as pessoas que sofreram de câncer apresentarem distúrbios como ansiedade ou estresse pós-traumático. “Esses problemas acometem grupos como sobreviventes de guerra ou tragédia e vítimas de sequestro”, argumenta. Superar o câncer seria parecido.

Atalho. O fumo seria o atalho para suavizar esses sintomas. “Quando o indivíduo percebe que o cigarro ajuda a controlar depressão, ansiedade e outros problemas, vê que não consegue viver sem ele”, diz. Diretor da Associação Brasileira de Especialistas em Situações Traumáticas (Abrest), Eduardo Ferreira-Santos diz que o hábito de fumar está ligado à ansiedade. “Estudos mostram que a nicotina tem efeito calmante”, afirma o psiquiatra, que hoje está aposentado do Hospital das Clínicas e é o autor de um livro sobre o transtorno de estresse pós-traumático em vítimas de sequestro.

O fato é que o câncer predispõe [ao estresse]. Mas, muitas vezes, a ansiedade é maior que o medo da reincidência. Por isso, as pessoas podem racionalizar: se eu já tive uma vez, dane-se.“. Segundo ele, o pensamento de que uma pessoa que vivenciou um sofrimento irá aprender com ele e evitar sua repetição nem sempre ocorre. Mesma opinião da psicóloga Rosaly Braga Campanini, da Universidade Federal de São Paulo, Unifesp. “O ser humano é contraditório e muitos não conseguem ver essa lógica [quem sofreu não quer sofrer de novo]. Não somos sempre tão racionais.

Curiosidade. Francislaine começou a fumar aos 15 anos. Foi por curiosidade, ela diz. Mas admite: sempre foi ansiosa demais. “Se uma coisa vai acontecer no mês que vem, fico pensando nela desde hoje”, diz a moça, que tem o hábito de roer as unhas. “O cigarro ajudava. Ficava nervosa, acendia um”, repassa. Ajudava. Após participar da pesquisa de Célia, ela parou de fumar.

Fonte: Site Abril. Julho, 28, 2009

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