Por Ricardo Menacker

Surgiu como rabdomância no século XVIII, de rhabdos, vara, e mancia, adivinhação. Depois tornou-se radiestesia. A radiestesia estuda os campos de energia emanados por locais, pessoas e objetos. Do latim radius e do grego aisthesis, radiação e sensibilidade, respectivamente, formam sensibilidade às radiações. O termo radiestesia foi inventado em 1890 pelos abades Bouly e Mermet, homem também conhecido como príncipe dos radiestesistas. Mermet era filho e neto de radiestesistas.

A radiação é a propagação de energia por meio de partículas ou ondas. Todos os corpos emitem radiação. E sensibilidade?

18th_century_dowserA radiestesia toma alguns instrumentos como forquilhas, bastões, pêndulos, aurameter, dualrod, pêndulo equatorial unidade de Jean De La Foye, pêndulo universal e de cone virtual de Chaumery e Bélizal, pêndulo cromático de Antonio Rodrigues, entre outros para captar a radiação. Entretanto, a ciência ainda é imune à radiestesista por falta de estudos acurados ou artigos publicados em periódicos científicos que corroborem com uma hipótese acerca da sensibilidade às radiações captadas por radiestesistas. Alega, a Ciência, que está no radiestesista o efeito ideomotor. Médicos e psicólogos vêem o efeito ideomotor como um tipo de imitação involuntária; o observador age conforme o que vê ou o que gostaria de ver. O efeito ideomotor é um fenômeno psicológico. O fenômeno cunhado por ação ideomotora foi originalmente descrito pelo naturalista britânico William Benjamin Carpenter em 1852, em um artigo sobre radiestesia. Entretanto, quase meio século antes, em 1808, o químico francês Michel Chevreul havia se deparado com a mesma idéia.

É tudo verdade? A radiestesia evoca discussões acirradas. O uso da radiestesia é milenar, a prática está ligada a dois elementos principais: o operador e o pêndulo. Ao longo dos séculos sem ponderar a percepção extrasensorial, egípcios romanos e chineses usavam radiestesistas na arte do pêndulo para buscar fontes de água ou minérios, construir cidades e plantar.

<font size="1"><em>Estevam Kovacsik</em>
Estevam Kovacsik

No século XX, um imigrante húngaro começou a aplicar a radiestesia no tratamento de pacientes oncológicos. Seu nome era Estevam Kovacsik, nasceu em 1903. Pesquisador autodidata, em meados dos anos sessenta ganhou notoriedade. Milhares eram as pessoas curadas pelo Método Kovacsik. Inicialmente ministrava drogas aos pacientes duas vezes ao dia durante um mês. Os efeitos colaterais da medicação eram muito fortes. Também por isso, buscava a concorrência, o concurso de profissionais da medicina para aperfeiçoamento dos medicamentos adjuvantes que usava no tratamento do câncer. O foco era o trabalho em radiestesia. Esteve no programa Fato em Foco transmitido pela TV Cultura, do apresentador Jacinto Figueira Júnior, O Homem do Sapato Branco, em 21 de março de 1965. Ganhou as grades dias depois da exibição do programa. Numa fase conturbada e de repressão foi preso dia 9 de abril de 1965 por charlatanismo. Só a intervenção do governador do Estado de São Paulo, Adhemar de Barros, foi capaz de lhe dar a paz. Um laudo do Instituto Adolfo Lutz, datado de 14 de abril de 1965, afirmava que as drogas ministradas não apresentavam contra-indicações. Contudo, dia 30 de agosto de 1979 foi interditado por exercício ilegal da medicina por prescrever tais drogas. Decidiu abandonar a aplicação da droga para buscar outra alternativa. Após 3 anos de silêncio e pesquisas, combateu seus detratores com o uso apenas da radiestesia. Se a origem do câncer estava na exposição a radiações deletérias, como pensava, julgou por bem usar uma pirâmide para captação de radiações benéficas ao organismo. A pirâmide e o acelerador tomaram o lugar da medicação, e em seguida, o U. O isolante conferia ao paciente a certeza duma doença tratada e curada, sem perspectivas a se tornar recidiva. Com o falecimento de sua esposa, Maria, também vem a morrer pouco depois, em 1991. O legado de Kovacsik está estampado em 3 mil sorrisos. Pacientes curados.

<font size="1"><em>Casal Kovacsik</em>
Casal Kovacsik

Entretanto, tal qual a radiestesia, o Método Kovacsik para tratamento e cura do câncer permanece sem comprovação científica. Atualmente a AEMK, Associação Estevam e Maria Kovacsik, busca através de processo o reconhecimento Método Kovacsik pela ANVISA, Agencia Nacional de Vigilância Sanitária, para ser classificada como terapia complementar dentro da instituição.

Daniel Kovacsik é o diretor do documentário Da origem ao fim do câncer. Realizado em 2007, o bisneto de Estevam resgata a memória do tempo e nos mostra a visão simples e prática dum tratamento que não mais requer drogas nem cirurgias. O DVD pode ser adquirido junto à AEMK. A Cinemateca Brasileira também realiza exibições do documentário mediante agendamento no setor de Pesquisa de Imagem pelo telefone 11 3512 6111, ramal 212. Ou através do endereço pesquisadeimagem@cinemateca.org.br.

O vídeo integral, em português, também se encontra no Blog Virgem em Câncer e Lua na Esperança! em baixa resolução.