Por estar implicado em mais de 95% dos casos de câncer de colo de útero, a infecção pelo papilomavírus humano, ou HPV, é comumente associada às mulheres. Mas este problema está longe de ser uma exclusividade feminina: sexualmente transmissível, o HPV também pode trazer consequências preocupantes quando acomete o homem. Pesquisa divulgada recentemente pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), em parceira com o Instituto de Virologia da Fundação Oswaldo Cruz, mostrou que o HPV está relacionado a até 75% dos casos de câncer de pênis.

Segundo José Carlos Ibanhez Truzzi, médico responsável pela área de Urologia do Fleury, o papilomavírus humano atinge os homens numa proporção muito maior do que as pessoas imaginam. “Apesar de ainda não haver uma avaliação estatística ampla no País, há grandes evidências de que boa parte da população masculina seja afetada pelo HPV. Um estudo* publicado em 2008, por exemplo, revelou uma prevalência do vírus em 72% dos homens na população geral do Brasil.

O papilomavírus humano costuma se manifestar por meio de verrugas genitais conhecidas como condilomas acuminados. “Nos homens, as lesões podem surgir no pênis ou na região perianal”, explica Truzzi. Para reconhecer corretamente essas lesões, é necessária uma avaliação médica. “O diagnóstico pode ser baseado no exame físico, pelo qual as lesões são identificadas de acordo com sua característica típica”, diz o urologista do Fleury. Pode-se ainda recorrer a outros exames, como a peniscopia (visualização da pele e mucosa que recobre o pênis por meio de uma lente de aumento), aliada à biópsia da lesão, e a anuscopia, que investigará a presença de lesões associadas ao HPV na região anal.

Embora boa parte das manifestações causadas pelo HPV nos homens seja facilmente identificável, é necessário ter precaução. “Algumas lesões não são visíveis a olho nu”, explica Truzzi. “Portanto, se o vírus for diagnosticado na parceira, a recomendação é procurar o urologista imediatamente e fazer uma investigação, ainda que não haja sinais visíveis que sejam suspeitos de contágio.” Um dos exames indicados para esses casos é a captura híbrida, uma moderna análise complementar que consegue identificar o papilomavírus mesmo antes de a pessoa apresentar qualquer sintoma.

Quando diagnosticado da maneira correta, o HPV tem boas chances de cura. “Uma vez descobertas as lesões e verrugas podem ser tratadas com procedimentos como eletrocoagulação, cirurgia a laser ou com uso de pomadas específicas”, afirma Truzzi. O mais importante, porém, é ficar longe do risco. O HPV responde por 15% a 20% das doenças sexualmente transmissíveis e, portanto, prevenção é fundamental. “O uso de preservativo durante a relação sexual ajuda a evitar o contágio pelo vírus na região genital”, afirma o urologista do Fleury.

O HPV também pode atingir a mucosa oral, manifestando-se como lesões na boca e faringe conhecidas como papilomas. “A transmissão geralmente ocorre pela atividade sexual, mas a ciência médica ainda não definiu ao certo todas as formas de contágio”, afirma Rodrigo de P. Tangerina, médico do setor de Otorrinolaringologia do Fleury.

Os papilomas costumam ser identificados com facilidade. “Se a lesão surgir no lábio ou na língua, o médico já consegue fazer a avaliação por meio do exame físico com a espátula”, diz Tangerina. Algumas vezes, porém, o papiloma se instala atrás do céu da boca, na faringe. “Nesses casos, é preciso fazer o exame de nasofibroscopia, que consiste na introdução de uma fibra ótica bem fina, com uma microcâmera, nas cavidades nasais”, afirma o otorrinolaringologista.

O tratamento nesses casos geralmente é cirúrgico e, quando o papiloma é isolado, dificilmente volta. “A diferença é que este tipo de lesão, como no caso do colo do útero, pode estar relacionado a uma transformação maligna. Apesar de ser raro e de não existirem provas contundentes, há suspeita de que a infecção do HPV na mucosa oral também esteja relacionada ao aparecimento do carcinoma nessa região”, finaliza Tangerina.

Fontes: *Cancer Epidemiol Biomarkers Prev. 2008 Aug;17(8):2036-4, e
Núcleo Educacional Científico do Grupo Fleury

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