Cancer!Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células que invadem tecidos e órgãos, podendo espalhar-se para outras regiões do corpo. Dito assim, nem parece grave, não é mesmo? Mas o fato é que a doença está entre as maiores causas de mortalidade em todo o mundo e o número de vítimas não para de crescer.

Um levantamento da American Cancer Society mostrou que, em 2007, foram registrados mais de 12 milhões de novos casos e 7,6 milhões de pessoas morreram por causa da doença. A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que as mortes aumentarão em 45% até 2030, devido, em parte, ao crescimento demográfico e ao envelhecimento da população.

Outros fatores desencadeantes são tabagismo, má alimentação, obesidade, sedentarismo, estresse e herança genética. A boa notícia é que a ciência desenvolve tratamentos menos dolorosos, drogas mais eficazes e diagnósticos mais rápidos e precisos. “Não acredito que chegaremos à cura tão cedo, mas, certamente, a medicina vai encontrar meios para que os pacientes convivam com a doença de forma controlada, como já acontece com o diabetes e a hipertensão“, defende Max Mano, oncologista e pesquisador do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP). Veja o que há de mais novo na pesquisa científica sobre o câncer.

[1] Prevenção é possível
Sim, é possível adotar medidas preventivas contra o câncer. O consumo de tabaco, por exemplo, eleva de forma significativa o risco para se contrair diferentes tipos de tumores. A má alimentação está associada a aproximadamente 20% da incidência nos países emergentes. A obesidade é fator de risco para o câncer de mama, do endométrio, do rim e da vesícula biliar. Infecções virais e bacterianas são a causa de 26% de todos os cânceres que surgem nesses países.

Portanto, hábitos saudáveis, como abolir o cigarro e reduzir o consumo de álcool, acredite, dão resultado. Uma dieta rica em frutas, legumes, verduras, grãos integrais, óleos vegetais e peixes fortalece o sistema imunológico e colabora para a produção de células saudáveis. Atividades físicas aeróbicas – como nadar, caminhar e andar de bicicleta por, no mínimo, 30 minutos, 2 a 3 vezes por semana – e rotina de check-up anual são medidas aprovadas e indicadas pelos médicos para afastar o risco da doença.

Os especialistas apontam ainda que políticas públicas são grandes aliadas no combate a esse mal. Na década de 1980, a Austrália instituiu um programa nacional contra câncer de pele que orientava a população sobre os malefícios dos raios ultravioleta (UV). Atualmente, a iniciativa é reconhecida como a mais abrangente, bem fundamentada e duradoura entre todas as campanhas de prevenção contra os tumores cutâneos. “O governo precisa se envolver nas campanhas preventivas porque o custo do tratamento é muito alto para o sistema público de saúde“, defende Max Mano.

[2] Esperança das vacinas
O vírus papiloma humano, mais conhecido pela sigla HPV, é o grande vilão nos casos de câncer de colo de útero. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que, em 2006, foram registrados mais de 19 mil casos de tumores do colo do útero e cerca de 10 mil mortes em todo o Brasil. “Já existe produção de vacina contra esse vírus, o que concorre diretamente para a diminuição do número de casos“, esclarece o oncologista do ICESP.

A vacina pode ser prescrita por ginecologista e não há necessidade de exame Papanicolau prévio, embora este ainda seja o método mais eficaz para detecção do vírus. São administradas três doses: a segunda deve ser tomada no mês subsequente à primeira dose, e a terceira, seis meses depois. Ainda estão sendo feitos estudos para saber se, depois de dez anos, seria necessário um reforço. Até o momento, um levantamento com mais de 700 mulheres entre 15 e 25 anos, conduzido em 28 centros no Brasil, Canadá e EUA, revelou 100% de eficácia por cerca de seis anos e meio.

Outra vacina eficaz é aquela contra o vírus da hepatite B e C, disponível na rede pública de saúde. Já se sabe que ela diminui a incidência de câncer de fígado em grupos de risco (indivíduos debilitados pelo álcool, portadores de HIV e profissionais de saúde sujeitos a contaminações desse tipo).

[3] Cada pessoa terá seus genes mapeados
A origem do câncer, na maioria dos casos, se dá por conta de hábitos de vida e fatores externos; há, no entanto, uma porcentagem de casos de origem genética. Contra isso, a medicina tem uma nova esperança: o mapeamento genético. O conhecimento sobre como os genes atuam na formação de doenças hereditárias levará a uma mudança da prática médica. A expectativa da American Cancer Society é a de que, até 2020, as descobertas científicas na área permitirão a manipulação genética para tratamento e prevenção da doença; e, até 2030, o perfil genético do tecido canceroso indicará como o tumor se desenvolverá, qual será a sua resistência ao tratamento e as melhores drogas para combatê-lo.

Hoje, o mapeamento genético já é uma técnica aplicada a pacientes com histórico de câncer na família. Os tumores mais associados são: câncer de mama, cólon, reto, ovário e tireoide. “Identificada a predisposição, são adotadas medidas preventivas, como o uso de medicamentos quimiopreventivos , e mesmo a realização de cirurgias antes que a doença se desenvolva“, enumera o coordenador do serviço de Oncologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, André Murad.

Os obstáculos à disseminação dessa prática são o alto custo dos testes, cerca de R$ 3 mil, e apenas em casos excepcionais é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS); e a ansiedade gerada pela indicação ao exame. “Todo paciente ou parente direto submetido a teste genético de predisposição ao câncer deve ser amplamente orientado quanto às suas implicações“, esclarece Murad.

A medicina já consegue traçar o perfil genético de tumores de mama e de pulmão e criar remédios específicos.

[4] Tratamento personalizado
A grande dificuldade no combate à doença é que um mesmo tipo de tumor difere de uma pessoa para outra, e mesmo as células de um único câncer podem ser diferentes entre si. Além disso, duas pessoas com o mesmo tipo de câncer podem responder de formas diversas ao tratamento. Por último, o câncer é extremamente mutável. Frequentemente um paciente deixa de responder a uma terapia porque o tumor se tornou resistente à medicação.

A medicina avançou de forma espetacular na compreensão dos mecanismos envolvidos no comportamento das células cancerosas. Agora é possível traçar o perfil genético de tumores como os de mama e de pulmão. Essas informações, aliadas à análise genética do próprio paciente, levaram à criação de remédios bastante específicos. São as drogas que formam as terapias-alvo – as quais costumam ser associadas aos quimioterápicos tradicionais. Esses medicamentos, também chamados de biológicos, impedem a proliferação das células tumorais sem afetar suas vizinhas saudáveis. “O tratamento personalizado é, sem dúvida, uma evolução natural e a estratégia terapêutica de maior eficácia num futuro próximo. Dentro de algumas décadas será possível detectar a anormalidade do tumor e prescrever a droga correta“, aposta Max Mano.

[5] Diagnósticos mais precisos
As universidades de Durham, na Inglaterra, e a de Maryland, nos EUA, estão desenvolvendo um exame para detectar o câncer de próstata em apenas três minutos. O exame, feito a partir de uma amostra de fluido da próstata, mede a queda nos níveis de citrato, molécula que apresenta redução nos primeiros estágios da doença.

Outra novidade é a descoberta de uma enzima responsável pelo alastramento da doença pelo corpo. Em um estudo publicado na Cancer Cell, pesquisadores ingleses afirmam que a enzima LOX é crucial na evolução da metástase. Essa enzima envia sinais para preparar a área que será atingida pelas células cancerígenas. Sem esse aviso, o ambiente pode ser muito hostil. Ao bloquear a “viagem” da enzima pelo corpo, o organismo tem condições de contra-atacar e eliminar as células tumorosas.

Prevenção ainda é a terapia mais eficaz
No Brasil, a população está cada vez mais urbana. A alteração no estilo de vida mudou também os hábitos alimentares e levou a um surto de obesidade. Um relatório, publicado em fevereiro deste ano pelo Fundo Mundial de Pesquisa do Câncer (World Cancer Research Fund) e pelo Instituto Norte-Americano de Pesquisa do Câncer (American Institute for Cancer Research), apresentou os últimos resultados de um estudo sobre prevenção da doença por meio de dieta, nutrição e controle da gordura corporal realizado nos EUA, Reino Unido, China e Brasil. Por aqui, a pesquisa verificou que:

30% dos principais tipos de câncer (estômago, pulmão, mama, útero e colorretal) podem ser evitados se houver uma rotina de alimentação adequada, peso corporal saudável e atividade física.

28% dos casos de câncer de pulmão e 37% dos casos de câncer colorretal podem ser evitados se esses hábitos fizerem parte do cotidiano.

12% de todos os tipos de câncer podem ser evitados se a mesma rotina for adotada.

Fonte: Revista Viva Saúde, por Eliana Antiqueira

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