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Os tratamentos contra o câncer podem causar a perda da função uterina, além da destruição total ou parcial da reserva de óvulos, que ocasiona imediatamente ou em tempo variável a falência do ovário“, afirma Joji Ueno, ginecologista e especialista em reprodução humana.

Mas esses problemas podem ser evitados se algumas providências forem tomadas antes do início do tratamento. Infelizmente, segundo uma pesquisa realizada pela Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, na sigla em inglês), apenas 25% dos médicos encaminham suas pacientes em idade fértil a especialistas de reprodução humana antes de iniciar a guerra contra o câncer. “A preservação da fertilidade é um fator muito importante para as mulheres. Muitas ainda não tiveram filhos e alguns medicamentos podem, sim, prejudicar o seu sistema reprodutivo. Dependendo do tipo de tumor é possível combinar remédios menos invasivos“, contesta.

O especialista orienta alguns métodos que vem sendo estudados e podem ser conversados com o médico antes do tratamento:

• Congelar óvulos. O óvulo pode ser congelado por vários anos e depois do tratamento finalizado, a fertilização será feita com o esperma do pai. A técnica ainda apresenta poucos resultados positivos, mas Ueno faz questão de afirmar que isso vem melhorando gradativamente;

• Congelar embriões. Este método é polêmico, pois envolve questões religiosas. Muitas crenças afirmam que a vida começa no momento da concepção e, sendo assim, o embrião é considerado um ser vivo. Se por algum motivo ele for descartado, essa conduta é considerada antiética. Ueno lembra que antes de implantar o embrião a mulher deve ter a autorização do parceiro que fecundou o óvulo;

• Congelar fragmentos do ovário. “Ao se submeter à quimioterapia ou/e à radioterapia, os folículos dos ovários da paciente portadora de câncer serão destruídos e não se recomporão mais. Por isso, especialistas em reprodução humana assistida fazem a retirada de uma parte superficial deste órgão, antes da mulher se submeter ao tratamento. Esses fragmentos podem ser reimplantados mais tarde e a mulher passará a ovular novamente“, explica Ueno. No entanto, a técnica ainda é considerada experimental, por isso, somente no futuro, as pacientes poderão se beneficiar do congelamento de fragmentos do ovário.

Fonte: Revista Viva Saúde, por Denise Mello

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