CA mamaNo início do século passado, era comum as mulheres se casarem por volta dos 15 anos, antes mesmo da primeira menstruação e, tão logo esta ocorria, engravidavam. No decorrer da vida reprodutiva, tinham vários filhos que amamentavam por longos períodos, diminuindo, assim, sensivelmente o número de ciclos menstruais que tinham durante toda a vida.

Hoje, não é raro encontrar meninas que iniciam os ciclos menstruais aos 11 ou 12 anos, a menopausa é cada vez mais tardia e o número de filhos, muito menor. Isso torna as mulheres mais vulneráveis à ação dos hormônios femininos – o estrógeno e a progesterona –, que exercem impacto importante no aparecimento do câncer de mama, doença diagnosticada atualmente em mulheres cada vez mais jovens e cuja incidência, ou seja, o número de novos casos da doença, tem aumentado significativamente nas últimas décadas. Entre 1950 e 2000, nos Estados Unidos, foi detectado um aumento significativo na incidência de câncer de mama. Hoje, se sabe que em cada nove mulheres americanas que sobrevivem até os 90 anos, uma vai desenvolver tumor de mama.

O número de casos novos de câncer de mama esperados para o Brasil em 2008 é de 49.400, com um risco estimado de 51 casos a cada 100 mil mulheres.

Na região Sudeste, o câncer de mama é o mais incidente entre as mulheres, com um risco estimado de 68 casos novos por 100 mil mulheres. Sem considerar os tumores de pele não-melanoma, o câncer de mama também é o mais freqüente nas mulheres das regiões Sul (67/100.000), Centro-Oeste (38/100.000) e Nordeste (28/100.000). Na região Norte é o segundo tumor mais incidente (16/100.000), perdendo somente para o de colo de útero.

Provavelmente, uma série de fatores contribui para o aumento do número de casos da doença. Entre eles destacam-se a dieta ocidental moderna com alto teor de gordura, a vida sedentária e a obesidade. Sabe-se que mulheres que fazem exercícios regularmente têm níveis hormonais mais baixos do que as obesas. Portanto, exercícios físicos e dieta com pouca gordura parecem ser fatores protetores contra o câncer de mama. Além disso, pode-se considerar como fatores predisponentes a menarca precoce (idade do primeiro fluxo menstrual), a nuliparidade (ou seja, a ausência de gestação que chega ao término), o uso de hormônio sexual feminino (estrógeno e progesterona), a menopausa tardia e a predisposição familiar, ou seja, geneticamente herdada.

Além desses aspectos, a idade continua sendo um dos mais importantes fatores de risco para a doença. As taxas de incidência aumentam rapidamente até os 50 anos e, posteriormente, isso se dá de forma mais lenta. Alguns estudos apontam para dois tipos de câncer de mama relacionados com a idade. O primeiro ocorre na pré-menopausa e é caracterizado por ser mais agressivo. O segundo tipo ocorre na pós-menopausa e está associado a um comportamento mais indolente.

Ao longo da vida, uma mulher sem os fatores predisponentes mencionados tem risco em torno de 10% de evoluir com um câncer de mama. Esse risco aumenta muito se houver outros casos da doença na família, principalmente se o parentesco for de primeiro grau. Nessas situações justifica-se o estudo genético que, se for positivo para alguns tipos de alterações nos genes BRCA1 e BRCA2, pode elevar significativamente esse risco. Por isso, é importante que os médicos saibam localizar esses agrupamentos familiares com o diagnóstico da doença para fazerem precocemente o aconselhamento genético das mulheres não acometidas pelo câncer. Em geral, um indício para essa localização é a ocorrência de, pelo menos, dois ou três casos de câncer de mama em mulheres com menos de 50 anos na mesma família.

Além de aumentar o risco da doença, as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 podem levar à ocorrência de câncer em idades mais precoces e também a uma maior predisposição a outras neoplasias, principalmente de ovário e intestino grosso.

Se considerarmos que apenas cerca de 5% a 10% dos casos de câncer de mama e ovário estão associados a mutações dos genes BRCA1 e BRCA2, não há até o momento nenhuma recomendação para a pesquisa indiscriminada na população em geral das anormalidades nesses genes. As sociedades médicas têm recomendado critérios bem definidos para a indicação dos testes que identificam essas anormalidades. Testes positivos não indicam certeza do surgimento do câncer, apenas indicam uma probabilidade aumentada (risco) para o seu desenvolvimento, em relação à população geral.

Por outro lado, quando a investigação das anormalidades dos genes BRCA1 e BRCA2 resulta negativa não indica ausência de risco para o surgimento de câncer de mama ou ovário. Apenas indica que o risco de desenvolvimento do câncer é igual ao da população geral. Desta forma, deve-se ressaltar a importância das medidas de detecção precoce preconizadas para toda a população feminina.

A prevenção primária dessa neoplasia ainda não é totalmente estabelecida, mas estará associada aos fatores de risco mais passíveis de prevenção: combate à obesidade e aderência a hábitos saudáveis quanto à dieta, ingestão de bebidas alcóolicas e prática de atividade física.

Tendo em vista a detecção precoce da doença, ou seja, os métodos de rastreamento populacional, está preconizada a mamografia anualmente a partir dos 40 anos de idade, acompanhado pelo exame clínico ginecológico. Para as mulheres de grupos populacionais considerados de risco elevado para câncer de mama, em especial aquelas com forte história familiar, recomenda-se iniciar esse protocolo mais precocemente.

Fontes: Espaço Saúde em Dia, por Dra. Ana Paula Atihé Benveniste e Dra. Maria Claudia C. de Moura do Grupo Fleury

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