Uma ação em conjunto da Polícia Civil e da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo investiga 13 distribuidoras que comercializam remédios desviados dos hospitais públicos para 20 Estados, além do Distrito Federal. As investigações fazem parte da operação Medula deflagrada na manhã desta sexta-feira. Nove pessoas –entre aliciadores, distribuidores e receptadores- foram detidas e duas permanecem foragidas.

A maioria dos medicamentos desviados, roubados ou furtados dos hospitais públicos, eram utilizados no tratamento contra o câncer. Foram encontradas 33 ampolas de Mabthera, utilizado no tratamento de leucemia, que custa cerca de R$ 6.000, cada uma.

Esta operação reúne várias investigações de diferentes delegacias com suspeitos em comum. As investigações permanecerão nos locais de origem. A ação foi mapeada pelo DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania), 1º DP de Santo André e 2º Seccional Sul, onde foram identificados alguns integrantes da quadrilha.

A Vigilância Sanitária fiscaliza 21 locais –entre hospitais e clínicas– que compraram os medicamentos no Estado de São Paulo. O medicamento não pode ser vendido em farmácia, e deve ser administrado em clínicas e hospitais de infusão.

A polícia afirmou que a quadrilha agia no hospital Mário Covas, no Instituto do Câncer, no hospital do Servidor Público e em um posto de fornecimento no bairro da Vila Mariana. O medicamento roubado desses hospitais era revendido para 20 Estados e para o Distrito Federal.

Em agosto deste ano já tinham sido presos outros sete funcionários dos hospitais suspeitos de roubar medicamento. Um dos funcionários está foragido.

A operação –chamada Medula– teve início por volta das 6h, e visa cumprir 10 mandados de prisão, e outros nove de busca e apreensão contra suspeitos. Participam da operação 64 policiais civis e 50 agentes da Vigilância Sanitária.

Dahir Fernandes Filho, suspeito de chefiar a quadrilha, aliciava funcionários dos hospitais e revendia os medicamentos roubados por meio de três distribuidoras pertencentes aos três filhos –duas mulheres e um homem– do suspeito, também presos nesta sexta. Era uma organização familiar, que contava ainda com a presença do ex-genro do suspeito. A família possui quatro distribuidoras localizadas em Santos, Sorocaba e São Paulo.

O sócio de um dos seus filhos numa distribuidora foi detido na semana passada com 35 caixas de medicamentos desviados. Ele foi liberado após o depoimento. O caso foi registrado no 56º DP, da Vila Alpina.

Na manhã de hoje, foram apreendidos ao menos R$ 240 mil em medicamentos na casa de Fernandes Filho em São Caetano do Sul (Grande São Paulo). As ampolas de Mabthera estavam armazenas numa caixa de isopor, sem refrigeração, nos fundos da casa. Se o medicamento não for armazenado de forma correta, pode trazer problemas de saúde aos pacientes.

Esquema
Os aliciadores convenciam os funcionários dos hospitais a desviar, roubar ou furtar os medicamentos. Eles revendiam para distribuidoras. No caso do suposto chefe da quadrilha, os remédios eram comprados ilegalmente e encaminhados para as distribuidoras dos seus filhos e revendidos com notas frias.

Fonte: Folha Online, por Tatiana Santiago. Setembro, 18, 2009.

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