O diagnóstico de câncer geralmente deflagra reações quase imediatas para tentativas de tratamento. Uma pesquisa realizada pelo estudioso Roger Chammas, da Universidade de São Paulo (USP), contudo, dá um alerta para médicos e pacientes – a pressa em eliminar um tumor pode acarretar em maior propagação da doença se o mesmo não for eliminado de forma correta, levando em conta também as regiões aparentemente saudáveis no entorno das células tumorais.

O estudo desenvolvido por Chammas observou o comportamento e mecanismos básicos do melanoma, um dos tipos mais comuns e letais de câncer atualmente. E o processo, de tão lógico, espanta como ninguém tenha pensado nisso antes – como qualquer invasor, o câncer de certa forma “parasita” as células mais próximas de si para continuar se desenvolvendo. Logo, concentrar esforços apenas no tumor leva a uma maior chance de permanência da doença mesmo após sua eliminação.

Descobriu-se, por exemplo, que muitas vezes as células de proteção do organismo são exatamente as mesmas que estão sendo escravizadas pelo câncer para sua manutenção. Por isso acontece de muitos medicamentos, como por exemplo a dacarbazina utilizada no estudo, chegarem a matar muitas células cancerosas, mas não conseguirem acabar efetivamente com a doença. Isso acontece porque, após detonada a morte das células cancerosas pelo medicamento quimioterápico, os macrófagos, que são células responsáveis por processos de fagocitose e destruição do microrganismos, acabam produzindo imunossupressores. Os imunossupressores são substâncias que diminuem temporariamente as defesas, diminuindo também a eficiência com que o organismo teria para se livrar das demais células recrutadas pelas formações cancerígenas.

A solução apresentada pelo pesquisador é utilizar nos pacientes um coquetel que combine drogas quimioterápicas com outras que desativem um receptor chamado BKR1, o que criaria um ambiente mais hostil aos tumores e células cancerígenas, facilitando a eliminação real e efetiva de todas as estruturas doentes.

Fonte: Corpo Saun. Agosto, 29, 2009.

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