Uma pesquisa americana afirma ter descoberto uma reação em cadeia que pode explicar a ligação entre um tipo de bactéria que vive nos intestinos de humanos e o desenvolvimento de câncer de intestino.

Cientistas do Departamento de Assuntos de Veteranos do Centro Médico de Oklahoma, nos Estados Unidos, afirmam que a bactéria Enterococcus faecalis, que é inofensiva na maioria das pessoas, pode produzir elementos químicos prejudiciais.

O estudo afirma que estes elementos químicos podem danificar o DNA e desencadear atividade genética ligada ao câncer.

“Esse estudo coloca em perspectiva a complexidade dos possíveis efeitos de bactérias normalmente presentes no intestino na saúde de uma pessoa“, afirmou o professor Mark Huycke, que liderou a pesquisa.

O estudo foi divulgado na publicação especializada Journal of Medical Microbiology.

Bactérias úteis
Os intestinos podem conter dezenas de bactérias diferentes, muitas das quais ajudam a quebrar açúcares por meio da fermentação. Outras até “treinam” o sistema imunológico do corpo humano.

Mas, nos últimos anos, os cientistas sugeriram que, em pessoas mais suscetíveis, essas bactérias podem causar problemas.

A Enterococcus faecalis, também conhecida como estreptococo do grupo D, é uma das que estão sob suspeita, e a pesquisa americana reforça a ligação entre a bactéria e os danos ao intestino.

Os pesquisadores analisaram em laboratório como as células do intestino reagiam na presença da bactéria, quando estavam em um estado de “fermentação”.

Neste estado, as células produzem um tipo de molécula de oxigênio chamada “superóxido”, que pode danificar o DNA de células próximas.

No total, a expressão de 42 genes ligados a processos vitais nas células humanas sofreu alteração na presença do e. faecalis neste estado.

Culpado
Barry Campbell, microbiólogo especializado em bactérias do intestino da Universidade de Liverpool, na Grã-Bretanha, afirma que a Enterococcus faecalis pode ser a culpada em termos de mudanças em células que podem causar câncer.

Mas, para Campbell, outras bactérias presentes no intestino também podem ser responsáveis.

Não vai existir apenas um culpado“, afirma o microbiólogo. “Nossa equipe está interessada em um tipo específico de e. coli. Também existem outros fatores envolvidos, como genética e ambiente.”

No caso da Enterococcus faecalis, sabemos que está presente nos intestinos da maioria das pessoas, mas a maioria das pessoas não tem câncer, então devem existir outros fatores“, diz o professor Ian Rowland, especialista em bactérias do intestino na Universidade de Reading.

Fonte: BBC Brasil. Setembro, 22, 2008.

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