Cientistas do Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas, cuja sigla em inglês é CNIO, sob direção de María Soengas, acabam de descobrir uma molécula sintética que possibilita a autodestruição, em grandes quantidades, das células de melanoma, um tipo de câncer de pele com potencial altamente maligno que geralmente se apresenta como uma pinta de coloração preta, castanha, vermelha ou cor da pele, de crescimento rápido e bordas irregulares.

O composto identificado permite que sejam ativados, simultaneamente, dois processos de morte celular, conhecidos como apoptose e autofagia. A apoptose, também conhecida como morte celular programada ou PCD Tipo I, é um mecanismo muito útil ao equilibro interno, no qual a própria célula comete “suicídio” diminuindo e fragmentando seus elementos, que em pedaços menores tendem a ser eliminados pelos leucócitos. Já a autofagia, ou PCD Tipo II, é um processo uma membrana produzida pela própria célula envolve alguma de suas organelas para realizar um tipo de “canibalismo”.

O melanoma é hoje um dos tipos mais comuns de câncer, e um dos que mais ocasiona óbitos no mundo, seja por sua rápida disseminação, seja porque nos estágios iniciais a doença é praticamente assintomática, salvo alguns casos de irritação cutânea. As altas taxas de mortalidade estão ligadas à elevada facilidade que suas células possuem em se disseminar para outros órgãos e sofrer metástase, um tipo de lesão tumoral que surge a partir de outra, espalhando as células cancerígenas para todas as partes.

A indução dos programas de morte celular em si não chega a ser uma novidade, mas abre novas perspectivas para o desenvolvimento de novas drogas e terapias a tumores de pele, pois todas as tentativas anteriores não tiveram muita eficácia, não permitiam que os dois tipos de auto-destruição fossem ativados ao mesmo tempo e ainda ofereciam efeitos colaterais terríveis, o que não é o caso desta descoberta espanhola.

Fonte: Corpo Saun. Agosto, 6, 2009.

Anúncios