Somos aquilo que comemos. Esta máxima cada vez mais se confirma, quando as pesquisas apontam a importância da alimentação na saúde. No entanto, de nada adianta comer bem e não se importar de onde vem seu alimento. Afinal, você já ouviu falar de interferentes endócrinos?

São vários compostos químicos, como hormônios naturais e sintéticos, que quando ingeridos pelo homem podem causar alterações nas glândulas hormonais. Pesquisas apontam que exposições em altos níveis podem desencadear câncer e outras doenças reprodutivas.

Uma pesquisa da Dra. Eleonica Gerolim, publicada pela Unicamp, apontou que mesmo após o tratamento, a água apresenta hormônios naturais ou de indústrias. Apesar de serem encontrados em baixas quantidades, estes interferentes (ou perturbadores) podem chegar até nós por meio da alimentação.

Isto porque os peixes se alimentam de diversos organismos que ingeriram esta água, ou seja, eles armazenam uma quantidade superior de interferentes. Então você, que está no topo da cadeia alimentar, ingere mais ainda. Há também a produção de aves e gado em confinamento, que utiliza muitos hormônios – que por consequência ingerimos.

Estudos iniciais datam dos anos 60, quando já se alertava sobre a contaminação do meio ambiente por produtos químicos. Vários estudos também foram realizados nos anos 80, principalmente com animais. Em um deles, girinos foram expostos por 57 dias a altas dosagens de Prozac na água e acabaram com deformações, durante seu crescimento.

Já o Instituto Panem analisou dados de 1938 a 1992 e notou a redução em 45% (ou 2,1% ao ano) na mobilidade dos espermatozóides do homem. Outro trabalho de 2007 analisou que mulheres que ingeriam mais carne vermelha tinham filhos com menos espermatozóides.

Porém, a pesquisadora da Unicamp deixa claro que em humanos é mais difícil identificar a causa destas disfunções, mas que em animais há fortes indícios da contribuição dos perturbadores. Por isso, é preciso haver mais estudos sobre as doenças que estes contaminantes causam. Atualmente são cerca de 564 substâncias suspeitas de serem interferentes, segundo classificação do Reino Unido.

Como se prevenir? Não é preciso alarmar-se, mas consumir água e alimentos de formas consciente. É importante certificar-se da origem dos peixes, não usar plástico no microondas (ele libera interferentes), não usar fármacos sem prescrição, reduzir o uso de pesticidas e não descartar medicamentos no vaso sanitário.

Fonte: Corpo Saun. Julho, 13, 2009.

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