Cientistas decodificaram pela primeira vez o genoma completo de uma paciente com câncer e traçaram as mutações genéticas na origem da doença.

A equipe da Universidade de Washington identificou dez mutações que parecem ser a chave para o desenvolvimento do câncer em uma mulher de cerca de 50 anos com um tipo de leucemia conhecido como LMA (leucemia mielóide aguda), a leucemia afeta células na medula óssea que produzem sangue. Apenas duas delas haviam sido ligadas à doença em pesquisas anteriores.

A técnica usada para identificar o DNA foi divulgada em artigo publicado na revista Nature e pode ser aplicada a outros tipos de câncer.

Um entendimento de todo o genoma do câncer, que agora é possível com uma tecnologia de seqüenciamento de DNA mais rápida e mais barata, é a base para o desenvolvimento de formas mais eficazes de diagnóstico e tratamento de câncer“, afirmou Richard K. Wilson, diretor do Centro de Seqüenciamento de Genoma da Universidade de Washington e líder da pesquisa.

Amostras
Os pesquisadores pegaram duas amostras da paciente, que depois morreu vítima do câncer, e examinaram as diferenças no DNA.

Uma amostra era de céluas saudáveis da pele e outra de tecido da medula óssea com células cancerosas.

Os pesquisadores descobriram que virtualmente todas as células da amostra de tumor tinham nove das mutações-chave.

Como a maioria dos cânceres, a LMA – que afeta células formadoras do sangue na medula óssea – resulta de mutações que se acumulam no DNA das pessoas no decorrer de suas vidas.

Mas pouco se sabe sobre a natureza exata destas mudanças e como elas perturbam os processos biológicos que causam o crescimento descontrolado de células que é a marca do câncer.

Esforços anteriores para decodificar genomas humanos individuais observavam pontos comuns na variação do DNA que podem ser relevantes para o risco de doença.

Mas a equipe de Washington utilizou sua técnica para o seqüenciamento de genes e conseguiu revisar 3 bilhões de pares de bases químicas que integram o genoma humano para identificar as mutações que contribuíram para o câncer da paciente.

Os especialistas da universidade planejam agora usar a técnica para decodificar o genoma de cânceres de mama e de pulmão.

Fonte: BBC Brasil. Novembro, 6, 2008.

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