Muitas vezes a pergunta surge nos consultórios: quanto tempo o câncer leva para se manifestar? A resposta exata para essa pergunta é difícil, senão impossível. Existe uma série de fatores próprios da paciente e da célula tumoral que influenciam no tempo de crescimento da doença. O mais próximo que se pode chegar dessa resposta é através de estudos que medem o tempo de duplicação de tumores em um grande número de pacientes, para que se chegue a uma estimativa média de tempo. Abaixo, os dados de dois estudos de acompanhamento mamográfico de mulheres não manejadas inicialmente com biópsia e que, posteriormente, revelaram-se portadoras de câncer de mama:

Gershon-Cohen, Berger e Klickstein, 1963. O tempo de duplicação da lesão, ou seja, o tempo necessário para que a lesão dobre de tamanho foi, em média, de 120. A variação entre a lesão com menor tempo de duplicação e a com maior tempo foi de 23 a 209 dias.

Colette C., 1992. O tempo médio de duplicação da lesão foi de 212 dias, variando entre 44 a 1869 dias.
Assim, admite-se que o câncer de mama tem um tempo de duplicação que varia de 120 a 212 dias. A partir dessa estimativa, foi possível calcular que, do início da transformação maligna até o ponto mínimo de detecção pela mamografia, que é quando a lesão tem 1 a 2 milímetros, são necessárias 20 duplicações, ou 6 a 11 anos. O crescimento da lesão até o tamanho de 1 centímetro, em que ela se torna palpável, leva um total de 30 duplicações, ou 4 anos adicionais. Para que a lesão chegue a 2 centímetros, um total de 20 anos são necessários.

O câncer de mama é uma doença de evolução lenta. Comparado a um resfriado, cuja evolução desde a infeção até a cura é de 7 a 10 dias, ou a uma apendicite, que leva de 8 horas a 2 dias para causar sintomas, o câncer tem o curso extremamente lento. Durante a maior parte de seu desenvolvimento, a doença não é detectável clinicamente, através de sintomas ou de exame físico. Se por um lado a detecção clínica precoce é difícil, por outro, o longo tempo de evolução oferece teoricamente a oportunidade de curar a doença quando ela ainda não teve efeitos importantes sobre o organismo e, principalmente, não foi capaz de manifestar-se em outros órgãos. Essa é a base teórica em que se apóia o acompanhamento mamográfico das mulheres assintomáticas. O estudo sistemático dos programas de rastreamento anual mamográfico confirmou essa teoria, mostrando redução de mortalidade por câncer de mama nas mulheres submetidas ao rastreamento.

A informação e o acesso ao rastreamento constituem-se na melhor defesa contra o câncer de mama. Discuta sempre com o médico qual a idade mais adequada para iniciar o rastreamento e com que freqüencia a mamografia deve ser feita.

Fonte: Blog Mastologia.