Os tumores, de uma forma geral, são classificados de acordo com a parte do corpo que se originam. O câncer de útero mais comum é aquele que tem origem no endométrio, sendo denominado câncer de endométrio. Outro tipo menos comum de câncer de útero é o sarcoma, que tem origem na camada muscular intermediária do útero — o miométrio.

O endométrio é a camada mais interna do útero, responsável pela menstruação e pelo crescimento do feto durante a gravidez. Quase todas as alterações que o endométrio sofre durante o ciclo menstrual ocorrem pela ação de dois hormônios produzidos pelo ovário: o estrogênio e a progesterona.

Os principais fatores de risco
Fator de risco significa qualquer coisa que aumente a chance de se desenvolver a doença. Alguns fatores estão relacionados a uma chance maior, outros menos. É importante saber que, mesmo que vários fatores de risco estejam presentes, não significa que a mulher vá desenvolver câncer.

Os principais fatores de risco do câncer de endométrio incluem:
• menarca precoce, isto é, mulheres que tiveram a primeira menstruação antes de 12 anos de idade;
• menopausa tardia, isto é, mulheres que iniciaram a menopausa após os 52 anos;
• obesidade;
• diabetes;
• idade: a grande maioria dos casos de câncer de endométrio ocorre em mulheres com mais de 40 anos de idade. A idade média é de 60 anos;
• raça: a doença é mais comum na raça branca;
• nível sócio-econômico mais elevado;
• história de câncer de ovário ou de mama: as mulheres que já tiveram câncer de mama ou ovário têm um risco maior de desenvolver câncer de endométrio;
• terapia de reposição hormonal: as mulheres que fazem uso de estrogênios na terapia de reposição hormonal, na menopausa, parecem ter um risco aumentado de câncer de útero. Por isto, devem realizar a ultra-sonografia transvaginal anualmente para detectar qualquer alteração o mais precoce possível;
• uso de tamoxifen: este medicamento é usado em mulheres que tiveram câncer de mama. Mulheres que fazem uso de tamoxifen devem sempre estar sob rígido controle médico;
• hereditariedade: mulheres que têm mães e avós maternas com história de câncer de endométrio também são mais propensas a desenvolver a doença;
• dieta rica em gordura animal;
• ovários policísticos

Principais sintomas
O sangramento vaginal é o sintoma mais comum e importante do câncer de endométrio. Qualquer mulher que apresente sangramento anormal, principalmente se já estiver na menopausa, deve procurar imediatamente o médico. O câncer de endométrio deve ser sempre descartado através da realização de exames complementares.

Outros sintomas menos comuns incluem dispareunia (dor durante a relação sexual) e dor pélvica.

Tipos de câncer de útero
Existem vários tipos de câncer de endométrio. Cada um é composto por tipos de células diferentes. Uns são mais comuns, outros nem tanto. Dependendo do tipo (neste caso, tipo histológico), o médico pode avaliar se o tumor é mais ou menos agressivo, o que ajuda na escolha do tratamento.

• adenocarcinoma (é o mais comum);
• adenoacantoma;
• carcinoma escamoso ou epidermóide;
• carcinoma adenoescamoso;
• carcinoma de células claras;
• carcinoma seroso papilífero;
• carcinoma secretor.

O diagnóstico: só ultra-sonografia não é suficiente
No exame da cavidade pélvica feminina, o médico precisa detectar as alterações da vagina, útero, ovários, bexiga e reto. Através do exame especular, o colo do útero e a parte superior da vagina podem ser avaliados.

A ultra-sonografia transvaginal é utilizada para identificar alterações no endométrio, como o aumento de sua espessura, e este exame serve para selecionar as pacientes que devem ser submetidas a exames mais invasivos, pois a ultra-sonografia não serve para confirmar ou afastar a presença do câncer.

O diagnóstico de certeza do câncer de útero só pode ser feito através da biópsia, com a retirada de um pequeno fragmento do endométrio para posterior exame pelo médico patologista. Através deste exame, também pode ser determinado o tipo de câncer de endométrio (tipo histológico).

A biópsia de endométrio pode ser realizada, em alguns casos, no próprio consultório médico, sem necessidade de anestesia. Na maioria dos casos, entretanto, deve-se guiar a biópsia por histeroscopia, método em que se usa o histeroscópio, aparelho que permite visualizar a cavidade uterina e escolher o melhor local a ser biopsiado.

A curetagem uterina fracionada também é muito utilizada quando há suspeita de câncer de endométrio. Neste caso é realizada uma raspagem do endométrio sob anestesia, geralmente anestesia geral.

Papanicolau ajuda
O objetivo principal do exame de Papanicolau não é fazer o diagnóstico do câncer de endométrio, mas do câncer de colo. Entretanto, em algumas situações, podem ser encontradas células endometriais no exame, o que faz o médico suspeitar de malignidade no endométrio. Neste caso, deve-se prosseguir a investigação através da realização de biópsia, histeroscopia ou curetagem, se necessário.

Após o diagnóstico, é necessário estadiar a doença, ou seja, classificar em que grau se encontra o câncer. No estadiamento, avalia-se a extensão da doença e, com isso, as possibilidades de cura. Ele é fundamental para a escolha do melhor tratamento a ser realizado e é uma classificação absolutamente médica que só deve ser usada por profissionais de saúde. Isto significa dizer que não há vantagem alguma em o leigo usar esta classificação para entender como está a sua doença ou a de seu familiar. Na verdade, o fato de ser grau I ou IV não quer dizer que se vá morrer mais cedo ou mais tarde. Este é um instrumento exclusivo para uso terapêutico.

O sistema de estadiamento adotado é o da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO).

O tratamento varia de pessoa para pessoa
O tratamento deve ser individualizado para cada paciente. A escolha do tipo de tratamento depende de vários fatores, como: tipo de tumor (tipo histológico), estadiamento da doença, idade da paciente e sua condição geral de saúde.

A grande maioria dos cânceres de endométrio é tratada através de cirurgia. Em alguns casos, é usada a radioterapia, hormonioterapia ou a quimioterapia, como complementação.

A cirurgia de escolha é a pan-histerectomia, isto é, retirada do útero, ovários e trompas. Os linfonodos (“gânglios”) próximos ao útero também podem ser removidos para serem estudados.

O útero removido é enviado para ser examinado pelo médico patologista. Se for constatado que o câncer estava limitado ao endométrio (sem invasão do miométrio ou comprometimento de linfonodos), a paciente é considerada tratada. Caso contrário, o tratamento é complementado com radioterapia, quimioterapia ou hormonioterapia (medicamentos como a progesterona evita que as células tumorais cresçam).

Efeitos colaterais do tratamento do câncer
Na cirurgia, a retirada dos ovários faz com que a mulher pare de produzir estrogênio e progesterona. Com isso, podem aparecer sintomas da menopausa, como fogachos (calores) e secura vaginal. Além do mais, ficam mais propensas a desenvolver osteoporose no futuro. A terapia de reposição hormonal com estrogênios é contra-indicada, mas o tratamento para prevenir osteoporose deve ser iniciado.

Na radioterapia, os efeitos colaterais dependem da dose utilizada. É comum a sensação de fraqueza, principalmente no final do tratamento. Também pode haver ressecamento da pele e perda dos pêlos na área tratada, e a mulher pode ficar mais susceptível a desenvolver algumas infecções.

Na hormonioterapia, as pacientes em uso de progesterona podem apresentar cansaço e alterações do peso, com retenção de líquido.

Na quimioterapia, os efeitos colaterais dependem do tipo de medicamento utilizado. De uma forma geral, as pacientes ficam mais sujeitas a infecções, podem apresentar náuseas, vômitos e queda de cabelos.

Toda mulher que teve câncer de endométrio deve ser submetida a exames periódicos, mesmo quando o tratamento é considerado um sucesso. O acompanhamento permite que qualquer recidiva (retorno da doença) possa ser detectada e tratada rapidamente, aumentando as chances de cura.

Fonte: Medcenter.