Problemas no pâncreas são má notícia para o corpo.

Ele fica nas profundezas ocultas da cavidade abdominal, e sua aparência, seu tamanho e seu propósito podem ser obscuros para uma pessoa mediana. Mas a verdade é que o pâncreas é crucial no controle de doenças bastante familiares.

Sendo o órgão encarregado de produzir a insulina e outros hormônios que ajudam a controlar o nível de açúcar no sangue, o descontrole do pâncreas é a origem da diabete, que aflige mais de 23 milhões de pessoas nos EUA.
E, como incansável destilador dos sucos digestivos que ajudam a dissolver os alimentos, o pâncreas está na linha de frente da epidemia de obesidade que é tão prevalente nos EUA e está se espalhando para outros países, junto com as mudanças nas dietas e o aumento da ingestão calórica.

Pesquisadores estão descobrindo que o pâncreas ajuda a mediar grande parte da comunicação entre o cérebro e o trato gastrointestinal no que diz respeito ao apetite -os sinais químicos que dizem “estou morrendo de fome” ou “já estou satisfeito, afaste-se daquele carrinho de sobremesas”.

Ao compreender melhor o papel exato do pâncreas na transmissão de sensações de fome e saciedade, sugeriu Rodger Liddle, da Escola Médica da Universidade Duke, na Carolina do Norte, podemos encontrar novas formas de combater a obesidade.

Os primeiros anatomistas certamente estavam cientes do pâncreas, mas em geral o ignoravam, e o nome do órgão reflete essa indiferença. Em grego, significa “todo carne”, numa referência à sua aparente homogeneidade.

O pâncreas sempre foi difícil de estudar“, disse Liddle. Em parte por estar oculto. Mede cerca de 15 a 20 centímetros de comprimento, é escorregadio, tem cor marrom-amarelada e fica nas profundezas do abdome, espremido entre o estômago e a coluna, e estendendo-se horizontalmente logo acima da linha da cintura.

Some-se a essa inacessibilidade uma sensibilidade delicada. “Se você faz alguma coisa para o pâncreas, inicia uma reação inflamatória“, disse Liddle. “Ele tende a ficar inflamado com mais facilidade que outros órgãos.”

Os pesquisadores afinal passaram a apreciar o órgão como uma glândula com muitos talentos, servindo tanto a um papel exócrino – secretando seus produtos por meio de dutos, assim como ocorre com o leite e o suor – quanto a um papel endócrino, fabricando hormônios e jogando-os na corrente sanguínea.

Quando o câncer o ataca, geralmente surge no tecido dos dutos pancreáticos. “Esses tumores são massas duras como pedras“, disse Peter Olson, pesquisador de oncologia na Universidade da Califórnia, San Francisco. “São brancos à dissecação, muito duros e fibrosos.“.

O câncer pancreático é quase impossível de curar. Cerca de 34 mil norte-americanos receberão um diagnóstico desses neste ano, e quase todos morrerão da doença. Como os médicos há muito já sabem, parte dessa letalidade tem a ver com a posição: não há um jeito fácil de examinar o pâncreas na busca por sinais prematuros de malignidade, e, quando os sintomas surgem, o câncer já se espalhou para outros órgãos.

Em recente artigo na revista Science sobre um estudo com ratos geneticamente manipulados, David Tuveson, do Instituto de Pesquisas de Cambridge (Reino Unido), e seus colegas descreveram uma nova abordagem para tratar o câncer pancreático, na qual os tumores se tornavam mais sensíveis aos medicamentos. Testes clínicos estão atualmente em andamento em humanos, e, com as devidas ressalvas, Tuveson se disse “cautelosamente otimista”.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo. Ensaio por Natalie Angier. Setembro, 28, 2009.

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