Por Ricardo Menacker

Um dia, um dia, e eu coloco tudo em Miss Mignon Mappim. História da descoberta de um câncer. E da redescoberta de minha mãe … um dia, um dia, e este dia foi 27 de janeiro de 2008, neste dia eu descobri o câncer mama de minha mãe, que foi extirpado em 14 de abril de 2009, um único dia após o aniversário de 67 anos de mamãe, em oito horas de cirurgia precedidas por um ano inteiro de quimioterapia neodajuvante. E descobri este tumor por acaso. Era uma montanha na frente no meu nariz. E o acaso teve um nome: Neide. Em detalhes, conto o episódio no livro. Aqui basta dizer que foi através de Neide que pude salvar minha mãe.

Neide Evangelista, a querida Neide, faleceu hoje, 17 de outubro de 2009. Quarenta e 6 anos, câncer de mama com metástase óssea, 84 sessões de radioterapia na Beneficência Portuguesa de Santos. No mês de combate ao câncer de mama, Outubro Rosa, foi Neide mais uma vítima da doença. No Brasil, são 50 mil novos casos por ano. Prevenção, mamografia, mamografia digital, saúde, estima, auto-estima, resgate, amor, vitória. Vida. O contrário de tudo isso culmina aqui, morte.

A promessa de não falar de morte foi rompida pela liberdade máxima, a do invólucro chamado corpo, veículo de toque. Cedo minhas mãos em prece e silêncio para a companheira que tão docemente me deu atenção e carinhos tantas vezes em minha vida. Por nobre ato de honra e homenagem, rompo o a ordem em Virgem em Câncer e Lua na Esperança! para falar de morte. De uma, mais uma. E da morte de minha querida amiga Neide.

Fica a eterna gratidão, que tive a sorte manisfestar em vida. Neide, desejo a você … amor. Aquele que não encontrou no envoltório da alma desta vida. Muitas outras roupas há de ter.

Haq hora in memorian … Por ora … estou vestido de saudade num dia de muita chuva.

Anúncios