Eu aprendi uma quantidade enorme de coisas com este livro. E vou lhe contar um segredo: eu mudei a minha alimentação, e já perdi seis quilos”. Não é nenhum leitor leigo e anônimo, fã do novo best-seller de David Servan-Schreiber, que faz este elogio, e sim o professor Jean-Marie Andrieu, chefe do serviço de oncologia médica no hospital europeu Georges Pompidou. Na quinta-feira, 15 de novembro, este cancerologista estava no palco da sala da Mutualité, em Paris, ao lado do psiquiatra David Servan-Schreiber, que estava ali para promover o seu método, sintetizado no livro “Anti-câncer: prevenir e lutar por meio das nossas defesas naturais” (editora Robert Laffont, 360 páginas), que já vendeu mais de 250 mil exemplares em um mês.

Anônimos acometidos da doença que dizem “recuperar a esperança” graças a este livro, e também artistas – o ator Bernard Giraudeau – e personalidades do mundo médico – o professor Jean-Marc Cosset, chefe de serviço honorário de radioterapia no Instituto Curie. Todos estavam no meio da multidão reunida para ouvir durante uma hora a conferência do carismático doutor Servan-Schreiber. Por mais que ele “não seja um deles”, o autor do célebre livro “Guérir” (Curar), cujo apelido é “D2S” (por causa das iniciais do seu nome), conseguiu convencer vários cancerologistas em relação ao item alimentação do seu método.

Antes do mês de julho, eu não o conhecia. Ele me fez ler as provas do seu livro, nós trocamos e-mails no decorrer do verão, e eu considero que ele fez sozinho, de maneira bastante competente, o trabalho do Fundo Mundial de Pesquisas contra o Câncer”, conta o professor Andrieu. Por um acaso inesperado, este fundo publicou no início de novembro um relatório sobre os vínculos entre a alimentação e o câncer, e um bom número de resultados está de acordo com aqueles de David Servan-Schreiber. “Eu tenho uma sorte incrível”, reconhece o psiquiatra, que retoma amplamente as conclusões apresentadas pelos pesquisadores internacionais no seu novo site, anticancer.fr (em francês).

Está confirmado, a alimentação é o ‘leito’ do câncer; este dado é de uma clareza infernal, mas ele também dá muito medo, porque você acompanha as mudanças dos seus hábitos alimentares”, resume o professor Andrieu. Aumento fulgurante do consumo de açúcar refinado, desequilíbrio entre o ômega-6 e o ômega-3, sedentarismo: este trio teria, nos últimos 50 anos, uma ampla parte de responsabilidade na proliferação de cânceres que atingem habitantes de países ricos. “O nosso modo de vida é uma forma de adubo para o câncer”, insiste o psiquiatra. Carne vermelha em excesso, açúcar em excesso, e carência de legumes e de frutas: tudo precisaria ser revisto nos nossos hábitos se quisermos “reforçar os nossos mecanismos naturais de defesa contra o câncer”.

Em seu livro, David Servan-Schreiber revela que ele mesmo foi atingido pela doença. Um tumor no cérebro, ocorrido há 15 anos. Operação, quimioterapia: “Os tratamentos convencionais salvaram a minha vida”, explica. Mas ele não quis parar por aí e começou a se aprofundar na literatura médica, até descobrir que “é possível ajudar o seu corpo a lutar contra a inflamação que alimenta as células cancerígenas”.

Nós estamos assistindo a uma revolução – ilustrada pelo sucesso deste livro: os franceses se interessam pela prevenção”, avalia Dominique Maraninchi, presidente do Instituto Nacional do Câncer (INCA). “Então, nós precisamos mergulhar nisso de cabeça, com firmeza; é preciso que os médicos passem a se dedicar à questão, mas é também preciso desenvolver uma prevenção global, porque de nada adianta se alimentar melhor se você não parar de fumar ou de beber”, insiste. “Logicamente, já não é sem tempo de conduzir uma campanha voltada para o grande público, a respeito dos vínculos entre alimentação e câncer”, considera David Khayat. Esta idéia deverá ser concretizada no decorrer de 2008. “Nós vamos publicar, em parceria com a Administração Geral da Saúde, um documento intitulado ‘Verdades e mentiras sobre alimentação e câncer’, dirigido ao grande público”, promete o professor Maraninchi.

Um dossiê sobre este assunto, elaborado no quadro do Programa Nacional de Nutrição e Saúde (PNNS), já existe desde 2003, mas é preciso de muita perspicácia para conseguir encontrá-lo no site do Ministério da Saúde. David Servan-Schreiber, por sua vez, se antecipou e coloca à disposição dos interessados, gratuitamente, no seu site, um pequeno guia ilustrado de 16 páginas sobre “os reflexos anticâncer no cotidiano”.

Finalmente, conforme relativiza David Khayat, um professor de cancerologia e antigo presidente do INCA, “a mensagem de Servan-Schreiber está impregnada de fortes doses de bom-senso: comam melhor, mexam-se, evitem o stress, sejam antes felizes. Este livro não é nem um pouco perigoso”.

Estes cancerologistas constatam, entretanto, a existência de alguns excessos e atalhos exagerados no método anticâncer do psiquiatra. A analogia entre o alecrim e o remédio anticancerígeno Glivec, por exemplo, ou ainda, a afirmação segundo a qual o chá verde bloquearia a invasão dos tumores, fizeram o professor Maraninchi erguer as sobrancelhas. Isso para não mencionar a questão dos complementos alimentícios, já que o Fundo Mundial de pesquisas contra o Câncer indicou claramente que eles não são recomendados.

Em seu site na Internet, David Servan-Schreiber apresenta, com ilustrações, a sua receita de café da manhã contra o câncer. Uma maçã “bio”, um iogurte natural com soja “sem acréscimo de açúcar e sem óleo hidrogenado”, um fio de xarope de agave, além de sementes de linho trituradas e gengibre, isso porque, segundo garante o psiquiatra, “a molécula que esta raiz contém contribui diretamente para a morte das células cancerígenas”.

Fonte: por Sandrine Blanchard, no Le Monde, traduzido por Jean-Yves de Neufville no UOL. Novembro, 21, 2007.

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