Tido pelos especialistas no mundo inteiro como o mais confiável para detecção precoce do câncer de mama em sua fase inicial como também para garantia de maior resposta ao tratamento da doença, a mamografia ainda é um exame desconhecido pela maioria das mulheres brasileiras.

Isso é o que revela uma pesquisa inédita realizada pelo Instituto Datafolha sobre o conhecimento das brasileiras acerca da doença, dos exames de identificação e dos tratamentos. No Rio de Janeiro, 65% das cariocas desconhecem a mamografia como principal forma de diagnóstico do câncer de mama. O mesmo percentual nacional.

A pesquisa revelou que apesar da maioria das brasileiras reconhecer que o diagnóstico precoce aumenta a possibilidade de cura de 49% para 75%, estas desconhecem a melhor forma de diagnóstico: a mamografia.

No Rio de Janeiro, somente 35% das mulheres se lembraram da mamografia como principal forma de diagnóstico do câncer de mama; igual à média nacional. Das entrevistas, 81% das cariocas se lembraram do auto-exame como forma de diagnóstico e 33% do médico. As médias nacionais foram 82% (auto-exame) e 31% (médico).

No que diz respeito aos diferentes tipos de câncer de mama, as cariocas também demonstraram índice significativos de desinformação: 88%% delas desconhecem que existem diferentes tipos de câncer de mama e 96% nunca ouviram falar sobre o tipo mais agressivo da doença e que demanda tratamento específico, o HER2 positivo. Os índices brasileiros foram de 91% e 96%, respectivamente.

O levantamento foi encomendado pela Federação Brasileira das Entidades Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama) e realizado no mês de junho de 2008. Foram ouvidas 552 mulheres de quatro capitais brasileiras que lideram o ranking de estimativas de novos casos de câncer de mama no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).

São elas: São Paulo (1º), Rio de Janeiro (2º), Porto Alegre (3º) e Salvador (7º). Foram entrevistadas mulheres com idades entre 30 a 60 anos, das classes econômicas A, B e C.

Os resultados da pesquisa são surpreendentes e nos preocupam. Revelam que a mulheres brasileiras têm informações parciais sobre o câncer de mama. Por um lado, elas já sabem que o câncer de mama é grave, que traz riscos à saúde e que se descobertos no início as chances de cura aumentam. Mas elas desconhecem a mamografia, o principal exame para detectar a doença logo no início. As mulheres precisam ter acesso às informações sobre as formas mais adequadas de diagnóstico precoce, sendo a mamografia anualmente, a partir dos 40 anos a mais importante“, esclarece a mastologista e presidente da Federação Brasileira das Entidades Filantrópicas de Apoio a Saúde da Mama, Femama, Dra. Maira Caleffi.

Há ainda outros resultados alarmantes. A pesquisa nacional revela que, segundo as entrevistadas, a quimioterapia ainda é a principal forma de tratamento (68%) e somente 4% citaram as novas terapias existentes, como as terapias biológicas alvo-dirigidas.

Esse dado é o retrato do conhecimento parcial sobre a doença por parte das mulheres, ou seja, para muitas descobrir essa doença ainda é sinônimo de mutilação, de perda de cabelos e de muito sofrimento. Mas o cenário pode ser muito diferente e a mulher precisa saber disso. Hoje a diferença está no diagnóstico precoce e no acesso ao tratamento no tempo adequado“, afirma Dra. Maíra.

Além do acesso a informação sobre os tipos de câncer de mama e métodos de diagnóstico, as mulheres precisam saber que hoje em dia existem tratamentos específicos para cada tipo de câncer que aumentam a possibilidade de cura. E mais, devem saber que se diagnosticado precocemente, as chances de cura chegam a 95%“, afirma Dra. Maira.

Toda a campanha Mulher Consciente, que contempla site, revista e eventos presenciais, visa justamente a estimular as mulheres a buscarem um rápido acesso ao diagnóstico e a tratamentos adequados“, completa.

O câncer de mama ainda é o segundo tipo de câncer mais freqüente no mundo e permanece o primeiro entre as mulheres. De acordo com as estimativas do Instituto Nacional do Câncer, INCa, o câncer de mama deverá atingir mais de 49 mil mulheres no Brasil este ano. No Rio de Janeiro, são estimados mais de 7 mil novos casos para este ano, destes, mais de 4 mil só na capital do Estado.

Pode-se considerar que, no Brasil 134 novos casos são diagnosticados por dia – 5 novos casos por hora. E o principal, elas nem descobrem se tinham um dos tipos mais agressivos da doença: o HER2 positivo.

Sobre a Pesquisa
A pesquisa foi realizada de forma quantitativa, com abordagem pessoal em pontos de fluxo populacional. As entrevistas foram realizadas mediante aplicação de questionário estruturado.

O universo pesquisado foi de mulheres entre 30 a 60 anos, das classes econômicas A B e C. A abrangência foi nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Salvador. Foi realizada no dia 16 de junho de 2008. Contemplou uma amostra de 552 entrevistas.

A pesquisa teve como objetivo verificar o conhecimento das mulheres brasileiras sobre o câncer de mama, as formas de diagnóstico, tratamento e tipo da doença conhecidos pela população feminina.

Fonte: Jornal do Brasil. Julho, 21, 2008.

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