Considerado o tumor mais frequente no Brasil e em outros países do mundo, o câncer de mama é o maior responsável pelos óbitos por câncer entre as mulheres brasileiras. A descoberta da cura ainda é esperança, mas avanços conquistados recentemente no tratamento da doença aumentaram significativamente a sobrevida das pacientes. Genes e proteínas estimulantes do crescimento de tumores foram identificados, tornando-se alvos para drogas. No conceito de terapia de alvo molecular, o medicamento passou a agir para exterminar estimulantes, aumentando a eficácia e reduzindo os efeitos colaterais.

A identificação de receptores hormonais e o desenvolvimento de seus bloqueadores reduziram a mortalidade por esse tipo de câncer. Outro grande avanço foi a descoberta de que um oncogene (gene de câncer) chamado HER2 está amplificado, ou aumentado em 20% ou 25% nos tumores de mama, tornando a doença ainda mais agressiva. A partir daí, desenvolveu-se a hipótese de que sua inibição com medicamentos fosse capaz de melhorar resultados do tratamento. O desenvolvimento do primeiro inibidor específico do HER2 – o trastuzumabe – revolucionou o tratamento do câncer, melhorando a sobrevida de pacientes com metástases e aumentando em 30% as chances de que a doença não voltasse após a retirada do tumor.

A existência de um medicamento que aumenta chances de cura em mais de 25% das pacientes operadas é um grande avanço. Pesquisas continuaram e novos inibidores de HER2 foram desenvolvidos. Um deles – o lapatinibe – está aprovado para uso em metástases resistentes ao tratamento e está sendo pesquisada sua capacidade de evitar o aparecimento de metástases, inclusive as cerebrais. Outro novo inibidor de HER2 – o pertuzumabe – está em fase de pesquisa clínica e mostrou que ele potencializa a ação contra o tumor de outro inibidor.

Outro grupo de medicamentos de terapia de alvo molecular promissor em câncer de mama são os inibidores de angiogênese, que reduzem os vasos sanguíneos dos tumores, enfraquecendo-os. O conjunto de inibidores de hormônios, de HER2 e de angiogênese representa uma poderosa combinação contra o câncer de mama e poderá, em futuro próximo, substituir a quimioterapia convencional. No Núcleo de Pesquisa em Câncer do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ) estudamos todos inibidores de HER2. Somos testemunhas de resultados encorajadores.

Não se pode esquecer, entretanto, que o diagnóstico precoce do câncer de mama, com mamografia anual a partir de 40 anos, tem grande impacto na saúde pública, indicando a necessidade de adotarmos um programa que atinja todas as mulheres. A mensagem é de esperança. A ciência tem dado passos largos em direção à cura, mas precisamos criar condições para que o avanço científico seja uma realidade para as brasileiras.

Fonte: por Eduardo Côrtes, Professor da Faculdade de Medicina da UFRJ e Coordenador do Núcleo de Pesquisa de Câncer do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho para o Jornal do Brasil. Março, 8, 2009.

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