Por Ricardo Menacker

Diderot, Lacan, Le Corbusier, Frank Lloyd Wright, Rodin, Leonardo da Vinci, Kandinsky, Picasso, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Pablo Neruda, Clarice Lispector, Guimaraes Rosa, Copérnico, Niels Bohr, Lavoisier.

A arte da transformação: tudo muda tudo no mundo. Viemos do pó, e pós retornaremos ao éter depois desta assim chamada vida. E durante o laboratório vivenciamos experiências, somos parte duma grande experiência. A medicina é uma ciência que busca precisão, e é sobremaneira baseada em tentativa e erro para ganhar percentuais de vitória. Nos laboratórios, as cobaias do homem vivem pelo homem os dissabores do alvorecer da nova era, Shangri-la. Processos quimioterápicos são ajuntamentos de drogas com efeitos previstos através daquelas tentativas e erros em cobaias, depois em testes com humanos, depois disponíveis para todos. É uma indústria. Laboratórios gastam fortunas inimagináveis para produzir um medicamento. E é do homem ficar doente. E é da indústria ganhar dinheiro. E se o homem não adoece, aquela indústria não vive, morre. E cabe uma pergunta? E se descobrissem a cura do câncer? Todos eles, em tipos e formas? A indústria morreria? Ou surgiria uma nova doença para tratar? HIV. Ebola. H1N1. Qual o próximo vírus? Do câncer, bem, no mundo ainda existe pesquisa à exaustão pelo câncer. Façam mamografia anualmente depois dos 40 anos. E passa mais de uma década. E surge novo estudo. E o estudo diz: não façam mais mamografias anualmente após os 40 anos. Façam de forma bienal, depois dos 50. E somos forçados e entender a situação porque os estudos, sim … os estudos, apontam que muitas mulheres podem sofrer mais pela ansiedade e depressão da possibilidade de ter algo. E não ter verdadeiramente nada. Depressão: esta é a doença desta década.

Contudo, na minha prosaica e pragmática cruzada contra o câncer, nunca tive contato com um ser humano diagnosticado com câncer que se encontrasse, antes de tudo, plenamente feliz. Antes, muito antes, era a tristeza, talvez depressão, a maior companheira de caminhada na vasta Terra deste ser humano com câncer. É claro: a tristeza não é a única culpada! Entretanto, a busca de si mesmo pode ser uma grande medida profilática. Para os casos omissos, favor incluir DNA, e em nossas hélices a identidade estampa o que ainda tentamos decifrar, um tal código para entender como aquele câncer surge, cresce e evolui, etapa um. Etapa dois: buscar coisas que possam aniquilar estas células desgovernadas. Etapa três: testar em cobaias. Etapa quatro … E quase duas décadas depois, um medicamento eficaz em 60% dos casos. Quarenta para o devir. Quarenta por cento para o estado clínico de cada um. Quarenta por cento para testar novos compostos e combinações de drogas quimioterápicas. Novas drogas inteligentes ainda surgem, drogas que não matam células sãs. Mas o tempo passa. E câncer não espera.

A morte não é mais do que mais um a menos, diz minha querida filósofa Rita Lee Jones. Mas como dói! Tal qual a Confidência do Itabirano … E porque a quarta dimensão corre mais que foguete, buscar só na ciência, dita Medicina, a cura do mal, d“aquela doença”, câncer, é pouco. É preciso fazer mais.

Câncer é doença de fronteira. Diante dele, do câncer, todos os paradigmas se afrouxam. É uma doença com diversos aspectos. É uma doença física, mental, emocional, espiritual, familiar e social. É física porque se manifestou em algum ponto do corpo. É mental porque toca na engenhoca de como pensamos e o que produzimos com a energia do pensamento. É emocional porque foi conduzida por sentimentos deletérios, mágoa, tristeza. É espiritual porque é carregada num plano etéreo. É familiar porque move todo grupo em que o indivíduo se insere primariamente. É social porque envolve as esferas públicas de saúde. Para cada aspecto, favor buscar um profissional para atendê-lo. Médicos na primeira casta, psicólogos na terceira leva. Irmão, pai, avô e cachorro para o penúltimo posto. Dispositivos legais para os últimos. Terapeuta para a segunda batalha. Deus, e escolha um profissional renomado, na quarta casa e em todas as casas, castas, levas, postos, dispositivos e batalhas. As galáxias que existem na alma do homem são ainda insondáveis pela destemperança de atitudes do próprio homem. E mesmo uma palavra pode não causar efeito para um cético, homem laico, e para outros admite plural e dimorfismo. Para muitos, singular: Deus, era esta a palavra. Com nomes diversos, em bandeiras desiguais, mas com a mesma força. E que habite em você e no outro, namastê!

E curiosamente direi uma outra coisa só: não busque só a ajuda divina. Nós, os homens e terapeutas e médicos e párocos e leigos não entendemos patavinas da mecânica do cosmos inteiramente. Viver é uma experiência adorável e conjunta, busque apoio para os seis aspectos. Seis faces … Já desvendou o cubo mágico?

A medicina é uma ferramenta. Use muitas para combater o câncer.

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