Graeme Poston, cirurgião do University Hospital Aintree (UHA), em Liverpool, Inglaterra, e um dos mais renomados especialistas europeus em cirurgia hepática, conversou com o JB durante o XVI Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, em Fortaleza, sobre fatores de risco e novos tratamentos no combate ao câncer de colo retal, o terceiro mais frequente no Brasil.

Qual a incidência de câncer de colo retal mundialmente?
Nos últimos anos, a doença se tornou um problema mundial de saúde pública. No Brasil, é a terceira causa de óbitos relacionados ao câncer, depois do câncer de mama e próstata, e o número de casos só vem aumentando. Na China e na Índia, por exemplo, o aumento é de 5% ao ano entre a classe média, o que se deve a estilos de vida considerados emergentes, com dietas ricas em carne vermelha. Sabemos que a gordura da carne é uma das causas desse câncer.”

Quando o câncer de colo se espalha, as metástases surgem geralmente em que órgãos?
O fígado é sem dúvida o órgão mais comumente atingido pela propagação do câncer de colo retal. As células cancerosas passam facilmente por um vaso sanguíneo enorme chamado de veia porta hepática, uma das maiores no corpo humano, que conecta o intestino ao fígado. É importante frisar que esse tipo de câncer se comporta de maneira diferente dos outros que se espalham para o fígado, como os de mama e pulmão. Nesses casos, quando o câncer é detectado no fígado é sinal de que também já se espalhou para diversas outras regiões do corpo, como o cérebro e os ossos. Mas em 50% dos pacientes com câncer de colo retal, a metástase ocorre apenas no fígado.

Em média, qual é a porcentagem de pacientes que apresentam metástases colo retais no fígado e que podem ser operados?
Durante muito tempo, cirurgiões e oncologistas acreditavam que era possível operar com segurança apenas um de cada 10 pacientes, porque a cirurgia hepática era considerada muito perigosa. Nos velhos tempos, eram necessárias tranfusões massivas de sangue para o fígado porque a hemorragia era bastante acentuada e litros de sangue eram perdidos. Hoje a técnica cirúrgica já avançou bastante e raramente há perda substancial de sangue. Já se consegue operar em cerca de um em cada quatro pacientes.

O que mudou nos últimos anos?
Estamos descobrindo que com novos medicamentos da chamada terapia alvo, particularmente o Cetuximabe, conseguimos encolher os tumores a ponto de permitir que os cirurgiões operem um número muito maior de pacientes. Agora podemos operar em cerca de 50% dos pacientes que recebem esse tratamento enquanto há 10 anos, era possível operar em apenas 5% ou 10% dos casos. E se conseguirmos operar o fígado, esses pacientes terão chances de cura, coisa que há 10 anos não tinham. Esses novos remédios da terapia alvo são mais poderosos que a quimioterapia e acrescentam muito ao tratamento.

Quais são os efeitos adversos?
O pior deles é que o medicamento provoca uma erupção da pele parecida com a acne que pode ser bastante embaraçoso para alguns pacientes. Quando paramos o tratamento, entretanto, a reação desaparece.

Essas terapias deveriam ser oferecidas pelo sistema de saúde pública no Brasil?
Sim, espero que se tornem parte do tratamento padrão para o câncer de colo retal no país.

Fonte: por Joana Duarte para Jornal do Brasil. Outubro, 13, 2009. A repórter viajou a convite do laboratório Merck Serono.

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