Depois da polêmica causada pela nova droga em fase de testes, que mataria o tumor do câncer por fome através da contaminação por um fungo, especialistas esclareceram a questão e pediram cautela para a compreensão completa da informação.

A experiência se deu através de uma droga desenvolvida usando nanotecnologia e um fungo que contaminou um laboratório de experimentação.

Pesquisadores americanos afirmaram que a experiência pode ser amplamente eficaz contra uma gama de tipos de câncer, mas que a população deve ter cautela e tentar entender que o medicamento ainda está em fase de pesquisa.

O oncologista e pesquisador sobre câncer, Judah Folkman, falecido em janeiro deste ano, foi pioneiro da idéia de angiogênese terapêutica. A técnica faz os tumores “morrerem de fome” ao impedir que o suprimento de sangue que os faz crescer chegue a eles, a ‘lodamina’ funciona sobre a mesma lógica.

O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica do Rio de Janeiro, doutor Pedro Basílio, comentou a existência da ‘lodamina’ e orientou cautela para a população.

Temos que entender que essa experiência ainda está na fase de testes em ratos, ainda não chegou nos humanos. Entretanto, o que há de muito positivo nessa história é o fato da droga não apresentar efeitos colaterais, mesmo nos ratos isso é surpreendente. Essa não é primeira droga com esse mecanismo e também ainda não há um relato para saber se eles conseguiram um número significativo de bichos que não apresentaram efeitos colaterais, mas não há dúvida que a experiência é significativa, ainda mais porque a descoberta aconteceu por acidente“, disse.

Doutor Pedro Basílio disse ainda que, se os testes avançarem, o tempo mínimo para que a “lodamina” esteja no mercado é de dois anos.

Inicialmente as drogas seriam muito caras, mas depois ficariam mais baratas. A grande novidade é que a droga viria em forma de pílula, isso também seria um diferencial“, completou.

O doutor Daniel Tabak, oncologista e ex-diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea do Instituto Nacional de Câncer (INCA) explicou que o princípio básico da “lodamina” já vem sendo estudado há muito tempo e que o novo na experiência é a forma como ela foi ‘preparada’.

Criou-se uma maneira de desenvolver o medicamento por vai oral e isso é muito interessante, porque desta forma não haverá penetração no sistema nervoso, além do composto ser eliminado paulatinamente pelo fígado. Sem dúvida é um produto que deve receber atenção, mas há que se alertar que na maioria das vezes pode haver uma demora de três anos até que o medicamento entre em prática clínica, caso seja for aprovado“, disse.

Segundo o doutor Daniel Tabak há que se modificar a visão do câncer, ele deve ser visto como uma doença crônica.

Eu não acredito em uma cura definitiva do câncer, não curamos o hipotireodismo, o lúpus e nem a hipertensão, nós os controlamos. E, a longo prazo, vamos aprender a controlar o câncer também. É uma notícia promissora e não podemos evitar que um paciente que convive com isso pense em testá-lo, mas o processo não é tão simples assim“, completou.

A “lodamina” é mais uma droga em estudos contra o câncer

Em entrevista com o doutor Daniel Herchenhorn, chefe do serviço de oncologia do Hospital do Câncer e do Hospital Badim/Rede D’Or no Rio de Janeiro, foi esclarecido que atualmente existem no mercado mais de 200 drogas em estudo e a “lodamina” é apenas mais uma delas.

As pessoas têm que saber traduzir a informação que é veiculada na imprensa, é uma mistura de ansiedade por novidades com o sensacionalismo na informação. Tudo o que tem sido apresentado com essas pesquisas da ‘lodamina’ é relevante, mas já está em estudo há algum tempo. Já existem drogas disponíveis no mercado que são bloqueadoras de angiogênese como a “Sorafenibe” e a “Sunitinibe”“, disse

Ele disse ainda que a “lodamina” está em fase de estudos pré-clínicos e há que se ter cuidado.

Os resultados podem ter sido satisfatórios nos ratos, mas e com os humanos? E mesmo assim em um tipo de câncer. O câncer não é uma doença, são mais de trezentas, se um medicamento funciona para câncer de rim não necessariamente ele vai funcionar para câncer de pulmão“, completou.

Fonte: por Carla Knoplech para o Jornal do Brasil. Julho, 8, 2008.

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