Cientistas conseguiram com um exame de sangue algo que, em geral, pede uma tomografia computadorizada; método utiliza análise de DNA do paciente.

Uma nova técnica de análise de DNA é capaz de detectar rapidamente o sucesso ou fracasso de uma terapia contra câncer ou de uma cirurgia para extração do tumor. Desenvolvendo um método para encontrar grandes sequências de material genético alterado em células cancerosas, cientistas do Centro de Câncer Johns Hopkins-Kimmel, de Baltimore (EUA), conseguiram que um exame de sangue fizesse algo que, em geral, requer uma tomografia computadorizada.

Um estudo que detalha como a técnica foi usada em testes com seis pacientes foi apresentado ontem em San Diego, na Califórnia, no encontro anual da AAAS (Associação Americana para o Avanço da Ciência), e publicado no site da revista “Science Translational Medicine”. Os autores explicaram que, para criar o teste, foi preciso sequenciar genomas quase completos de cada um dos pacientes -quatro com câncer colorretal e duas com câncer de mama- e de amostras dos tumores dessas pessoas.

Capítulos trocados
Ao identificar que as células tumorais possuíam rearranjos de DNA muito grandes, enquanto no tecido normal o material genético continuava sem eles, os cientistas passaram a usar essa diferença genética como um “biomarcador” para saber se o câncer está presente.

Os rearranjos são a forma mais dramática de mudança genética que pode ocorrer em um genoma“, disse em entrevista coletiva Victor Velculescu, um dos autores do estudo. “Se o genoma fosse um livro com muitos capítulos, os rearranjos seriam a troca de dois capítulos de modo que eles ficassem fora de ordem.”
“Palavras” de DNA com erros simples de tipografia são mais fáceis de encontrar, segundo os geneticistas, mas nem sempre é possível associá-las a tumores.

Achar grandes rearranjos, porém, algo que envolve pedaços de DNA trocando de cromossomo, ainda é caro. Essa é uma das razões pelas quais isso ainda não é viável fora do laboratório. A varredura do genoma de cada paciente no estudo custou cerca de US$ 5.000, enquanto uma tomografia custa cerca de US$ 1.500 nos EUA. O cientistas, porém, dizem crer que o progressivo barateamento do sequenciamento de DNA deve tornar a técnica viável dentro de poucos anos.

A descoberta poderá ajudar também a detectar cânceres que ainda não induziram sintomas, mas a primeira aplicação deve ser o monitoramento de tumores preexistentes.

O câncer é uma doença complexa não só porque há muitas diferenças entre os vários tipos de câncer, mas também porque há diferenças entre o câncer de cada pessoa“, diz Velculescu. “Isso é triste, em certo sentido, porque nunca vai existir uma “bala mágica” contra o câncer: um biomarcador único que possa ser usado como alvo para uma droga universal. Mas nós estamos achando um conceito unificador entre os cânceres.

Fonte: por Rafael Garcia para o Jornal Folha de São Paulo. Fevereiro, 19, 2010.

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