A atriz comemora a boa recuperação e conta à repórter Renata Ceribelli os momentos difíceis que enfrentou durante os 120 dias de internação.

Esta é daquelas notícias que a gente gosta de dar: notícia boa. Quatro meses depois de receber um transplante de medula, a atriz Drica Moraes – a Olívia da novela ‘Alma Gêmea’, a Pietra de ‘Pé na Jaca’ e tantos outros papéis – comemora sua recuperação. Esta semana, Drica conversou com a repórter Renata Ceribelli e contou como foi a luta dela contra a doença.

Drica chegou para a entrevista animada por estar de volta aos bastidores da televisão: “Ai, que bom ver vocês todos aí“.

Enquanto é maquiada, Drica diz que tem saudade de tudo: “Eu vibro com qualquer coisa que eu viva. Passei 120 dias no hospital, em uma clausura, janela lacrada, o toque zero, não podia abraçar, não podia tocar. Recebia visitas muito esporádicas. Teve fase que só podia entrar de um em um no quarto. Épocas em que você está podendo ter hemorragia, você não pode escovar o dente. Fiquei dois meses sem escovar os dentes. Passa um tempo, você se sente um réptil, um calango. E muita solidão. Mas a solidão, aparentemente, ela assusta, mas é o lado salvador, porque é o lado onde você encontra força. E eu quero viver!”.

A leucemia, conhecida como câncer do sangue, é uma doença grave, que acaba com as defesas do organismo e muitas vezes demora para ser descoberta.

Teve muita baixa no hospital, eu peguei virose, as explicações eram: você está cansada, está com filho novo, pegou virose do filho. No começo de 2010, eu comecei a ter os gânglios, e realmente uma fadiga enorme mais desmaios. Daí foi diagnosticado o câncer, e aí eu acho que é a hora que você morre. Receber a notícia que você está com leucemia, acho que este é o momento mais duro. Acho que é o pior momento”, garante.

Drica ficou três semanas internada, fazendo quimioterapia. Recebeu alta, mas cinco dias depois, teve uma recaída. E aí foram mais 34 dias de internação. Ela lembra: “Foi uma segunda fase muito difícil. Você chora. Também teve uma época de muita raiva que eu comecei jogar coisa na parede. Jogava garfo, talher, com raiva”, revela.

Debilitada e sem imunidade, Drica teve que ficar isolada em um quarto de hospital. Do lado de fora, deixava o namorado e o filho adotivo Mateus, de apenas um ano. “Mateus foi meu norte, minha bússola. O rosto dele, o sorriso dele que quando eu fechava meu olho eu falava: “É para ele que eu estou aqui. Eu preciso dele e ele precisa de mim”, confessa Drica.

A vida de Drica naquele momento dependia de um transplante de medula óssea. Ela conta: “os meus seis irmãos foram fazer o exame para ver se éramos compatíveis, se poderiam ser meus doadores. E de seis, nenhum era compatível”.

Começava a busca por um doador fora da família. “Os dias parecem uma grande maratona, uma grande Copa do Mundo, onde a bola é a sua vida”, comenta.

Cansada de tanto isolamento, Drica fez dois pedidos ao médico: “Eu preciso ter alguns momentos com meu filho, eu preciso que meu filho me visite“. Ele falou: “mas ele é muito pequeno, ele vai babar em você, tem as bactérias, os vírus“. Eu falei: “se eu sobrevivi a tanta coisa, eu vou sobreviver a uma baba do meu filho. E eu preciso ter uns momentos com meu namorado, que eu estava acabando de começar um namoro que foi fantástico. Ele está sendo um parceiro. Eu preciso trancar a porta daquele quarto e que ninguém entre“. O médico falou: “A porta trancada, se você não tiver nem quimioterapia, nem transfusão de sangue, nem medicamento, você pode. Mas não conta para ninguém”, diz.

Drica Moraes conta sobre como é ficar sem o toque, isolada, sem que as pessoas pudessem chegar perto: “As pessoas podiam chegar, sim. Olhar, o que já é um bom namoro”, brinca. “Teve um dia que eu fiquei com meu namorado, coloquei uma musiquinha e fiquei só assim com ele, seduzindo com o olhar”.

Os médicos também liberaram a visita de Mateus, mas com a condição de abraçá-lo por trás. ”Eu fiquei pensando: meu Deus como é que eu vou abraçar meu filho por trás? Menino de um ano. Abriu-se a porta, Mateus entrou, olhou pra mim, aí ele veio andando devagarinho. Virou de costas, botou a mãozinha assim e abraçou a minha careca. Deu a volta em mim e foi beijar minha careca. Sem nenhum ensaio. Ninguém falou nada para ele. Como é que uma criança faz isso?”, questiona a atriz.

Segundo Drica, o momento de perder os cabelos foi o mais tranqüilo: “Nunca tive problema com isso. Zero problema. Eu nunca pensei em botar peruca. Pensei: ‘Tenho que tomar remédio, tinha que tomar transfusão, e ainda vou me preocupar com peruca?”.

A notícia tão esperada chegou no começo de junho. “Foi rastreado pelo Redome, pelo banco de medula óssea, um doador dez para dez. Em dez itens de caracteres genéticos, ele era compatível comigo nestes dez itens, ou seja, ele era praticamente um irmão. E a doação é algo sigiloso. E ele foi doar para um desconhecido que era eu, e eu não sei quem é essa pessoa. Se eu começar a falar sobre isso, eu vou chorar. Todos os dias da minha vida, quando eu fecho meu olho, eu agradeço a essa pessoa”, revela.

O transplante aconteceu no dia 23 de junho, e foi um sucesso.

Drica conta: “Meu sangue era B, meu sangue hoje é O”.

Com a medula nova, o organismo perde todas as proteções que adquiriu ao longo da vida. É como se ela tivesse nascido outra vez. “Eu não tenho hoje vacina contra poliomelite, hepatite, meningite, eu não tenho nada que um bebezinho de dois, três meses esteja tomando. Eu sou um grande bebê, de 41 anos. Eu não posso estar em lugares fechado com mais de (nesse momento a atriz contabiliza o número de funcionários nos bastidores) vinte pessoas, pois eu tenho que colocar uma máscara. Eu não posso estar com ninguém gripado, com ninguém com febre. Meu filho está com febre e eu tenho que sair de casa. Não posso comer comida crua. Eu não posso um monte de coisas, até um ano após o transplante. Depois de um ano, você passa a tomar todas as vacinas e volta a ser um cidadão normal. Então, esse ano será decisivo do que serão os outros, muitos, que eu tenho pela frente”, explica a atriz muito animada.

Drica revela que está muito feliz: “A vida melhora muito se você não morre. Você abre seu olho para o que importa, você tira metade da sua vida que não prestava. Eu tenho amigos para todos os lados, eu tenho uma profissão linda que eu estou louca para voltar, estou cheia de ideias, cheia de propostas. Sou uma nova Drica e com grandes projetos. O próximo deles é continuar na fila de adoção e trazer um irmãozinho para o Mateus”.

Matéria completa no Fantástico, da Rede Globo. Outubro, 31, 2010. Ou na página de vídeos do Blog.

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