A incidência de câncer de mama é paralela ao uso da combinação estrogênio/progestina entre mulheres na menopausa e pós-menopausa.

O câncer de mama é a principal causa de morte entre mulheres que sofrem desse tipo de doença, seguido pelo câncer de pulmão. Apenas em 2007, cerca de 180 mil mulheres nos Estados Unidos serão diagnosticadas com câncer de mama invasivo, que causará a morte de 40 mil delas, de acordo com a American Cancer Society. Há alguns fatores de risco que uma mulher não pode controlar, como a idade ou a raça, assim como sua constituição genética ou histórico familiar, mas há escolhas que ela pode fazer para diminuir as chances de desenvolver a doença. De acordo com um novo estudo, uma opção é dizer não à terapia de reposição hormonal, que aumenta as chances de incidência de câncer de mama.

Pesquisadores do Kaiser Permanente Center for Health Research em Portland, Oregon, chegaram à conclusão de que realmente existe uma ligação entre câncer de mama e o uso de terapia hormonal na menopausa, principalmente no tratamento com a combinação estrogênio/progestina. Desde 1990, “o número de casos da doença caiu paralelamente ao uso de hormônios, assim como havia crescido de acordo com ele também,” afirma o oncologista Andrew Glass, autor principal do estudo publicado no Journal of the National Cancer Institute.

Glass e seus colegas analisaram os históricos médicos de 7.386 mulheres (no banco de dados do Kaiser Permanente no noroeste do país) diagnosticadas com câncer de mama entre 1980 e 2006. Eles descobriram que a incidência desse tipo de câncer aumentou em 25% do começo dos anos 80 ao início dos 90 – período em que um número crescente de mulheres estava fazendo mamogramas e também terapia hormonal para controlar sintomas da menopausa e prevenir doenças crônicas. Glass reconhece que o aumento da incidência da doença poderia ser atribuído ao crescimento do número de mamogramas, já que o exame consegue detectar cânceres que poderiam passar despercebidos até que a enfermidade progredisse.

No entanto, Glass ressalta que o número de mamografias entre mulheres no Kaiser se estabilizou no começo dos anos 90, dando aos pesquisadores a oportunidade perfeita para estudar a relação entre câncer de mama e o uso de terapia hormonal. Eles descobriram que a incidência desse tipo de câncer seguiu o uso de hormônio do início da década de 90 em diante. Ainda durante os anos 90, a incidência da doença subiu para cerca de 15%, em sincronia com um número cada vez maior de mulheres que faziam terapia hormonal.

Em 2001, a tendência se inverteu: o número de casos começou a declinar gradualmente, mas caiu categoricamente na metade do ano de 2002, quando muitas mulheres nos Estados Unidos pararam de fazer terapia de reposição hormonal quando a Women’s Health Initiative, um grande programa de pesquisa, determinou que os riscos do tratamento com estrogênio/progestina – como a probabilidade de desenvolver câncer de mama – suplantavam os benefícios.

De acordo com a tendência nacional, em 2002 o número de mulheres no banco de dados da Kaiser que faziam reposição hormonal despencou; entre 2003 e 2004, a incidência de câncer de mama caiu 18% e continuou sua trajetória decrescente. Esses padrões ficaram em grande parte limitados a mulheres com 45 anos de idade ou mais, mais propensas a usar o estrogênio para controlar ondas de calor e também a desenvolver tipos de câncer de mama quando expostas a hormônios.

Não se trata exatamente de causa e efeito, mas é o mais próximo que podemos chegar disso em epidemiologia”, diz Glass, “Não há outra explicação além da terapia hormonal para aquilo que descobrimos”.

É uma corroboração… outras análises nos Estados Unidos e Europa demonstraram a mesma coisa”, diz Donald Berry, professor e diretor do departamento de bioestatística do M.D. Anderson Cancer Center da University of Texas, em Houston.

Mas será que a terapia hormonal – já elogiada por garantir a saúde do coração e prevenir a osteoporose – oferece algum benefício? “Para acabar com as ondas de calor, provavelmente é uma escolha razoável”, diz Berry, “Mas não conte com nenhum efeito benéfico de longo prazo”.

Glass ressalta que há outros tratamentos para a saúde cardiovascular e dos ossos, mais eficazes e menos arriscados. “A única razão para tomar hormônios hoje são os sintomas da menopausa”, afirma, “e isso deveria ser feito em doses pequenas e pelo período mais curto possível”.

Fonte: por Coco Ballantyne para Scientific American Brasil. Agosto, 1, 2007.

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