Estudo demonstra aumento significativo de cura para pacientes com câncer colorretal metastático.
Tratamento personalizado com cetuximabe eleva as chances de reverter quadro de tumor e submeter o paciente à cirurgia.

Dados de um estudo internacional publicado no dia 26 de novembro, no The Lancet Oncology, demonstram que o uso da substância cetuximabe, adicionada à quimioterapia no tratamento personalizado de primeira linha para câncer colorretal metastático (CCRm) com lesão no fígado, auxilia na reversão do quadro da doença, tornando possível a cirurgia de remoção do tumor para 34% dos pacientes pesquisados. Outros 70% demonstraram taxas de resposta global e podem se tornar potenciais para operação.

O câncer colorretal é a quarta causa mais comum de morte por câncer no Brasil e abrange tumores que atingem o cólon (intestino grosso) e o reto. Tanto homens como mulheres são igualmente afetados. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), mais de 25 mil novos casos foram diagnosticados em todo Brasil em 2006.

O estudo Celim avaliou, em 17 centros de pesquisas na Alemanha e Áustria, 109 pacientes com CCRm que apresentavam o KRAS não mutado (gene biomarcador que identifica uma das proteínas celulares, o RAS, responsável por aumento da sobrevida, maior proliferação celular, ocorrência de angiogênes ou nutrição e da metástase), presente em 60% dos casos. Ao final do estudo, 34% dos pacientes, considerados como potencialmente ressecáveis, tiveram o diagnóstico revertido para ressecáveis e foram submetidos à cirúrgica do tecido tumoral. “Estes resultados são muito importantes para o avanço no tratamento personalizado do câncer colorretal metástático. Os pacientes que são submetidos à cirurgia têm possibilidade maior de cura”, afirma o vice-presidente sênior de desenvolvimento clínico global da área de Oncologia da Merck, Dr. Oliver Kisker. “Para este tipo de câncer, a taxa de resposta e a interrupção do crescimento do tumor são cruciais também para o aumento da sobrevida do paciente”.

A metástase faz com que o câncer se espalhe para diversas partes do corpo, muito comum nos casos de câncer de colorretal, onde mais da metade dos pacientes sofrem com o risco desse processo acontecer. Por isso, o diagnóstico precoce é muito importante para o tratamento. Dados apontam que cerca de 80% dos pacientes identificados com CCRm estão na classe de tumor irressecável ou irreversível. Nestes casos, o tratamento com o cetuximabe + quimioterapia auxilia apenas no aumento da sobrevida do paciente, que pode ser de 30%. “O tumor tem três fases de ressecção que precisam ser analisadas e identificadas para indicação do tratamento: no início o tumor é ressecável e se tratado, pode ser removido, quando o tumor sofre mais lesão ele se torna potencialmente ressecável e já está avançando e o tratamento com a cetuximabe pode reverter para ressecável, já a fase avançada, a irressecável, apresenta muita lesão e a reversão ainda não é possível. Por isso, conhecer os sintomas, prevenir e diagnosticar o quanto antes são fatores de extrema importância”, explica o oncologista do Hospital Sírio Libanês, Dr. Frederico Costa.

Sobre o Cetuximabe
O cetuximabe faz parte dos remédios conhecidos como terapia-alvo. Tem menos efeitos colaterais do que os tratamentos-padrão, que são basicamente a quimioterapia, caso não haja possibilidade de cirurgia, seguida de radioterapia.

A terapia-alvo não causa anemia, baixa de imunidade nem quedas capilares. Mas provoca rash cutâneo, com aspecto semelhante ao da acne (tratável). Atua no receptor EGFR (epidermal growth factor receptor) ou receptor do fator de crescimento epidérmico da célula tumoral, diretamente na proteína RAS, responsável por aumento da sobrevida, maior proliferação celular, ocorrência de angiogênes e ou nutrição e ocorrência de metástase. A RAS é produzida pelo gene KRAS, que precisa ser não mutado para responder a terapia com cetuximabe – é preciso realizar um teste para identificação do gene e personalização da terapia. O cetuximabe se liga na porção externa do receptor e impede a ativação da cascata de sinais.

Estudos com cetuximabe mostraram que 60% dos pacientes com CCRm são KRAS não mutado.

Fonte: Merck S.A. na Revista Vigor. Dezembro, 5, 2009.

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