A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aprovou proposta da Divisão de Radiofármacos do Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), no Rio de Janeiro, para estudar a viabilidade de um método alternativo e mais econômico de produção do iodo-124. O radioisótopo vem sendo pesquisado em vários países para uso na tomografia por emissão de pósitrons (PET), considerado o exame de imagem mais moderno da atualidade.

O iodo-124 apresenta vantagem sobre o flúor-18 – radioisótopo mais utilizado no exame PET –, pois tem uma meia-vida maior, de 4,2 dias. Em comparação, a do flúor-18 é de menos de duas horas. Isso significa que o uso do iodo-124 pode ajudar a democratizar o acesso à PET, na medida em que permite a realização do exame em locais mais distantes dos centros de produção. Devido à meia-vida maior desse radioisótopo, a logística de distribuição também é bastante facilitada.

A Divisão de Radiofármacos do IEN pretende testar a produção do iodo-124 a partir do antimônio, irradiado com partículas alfa. O método mais usado hoje tem o óxido de telúrio como alvo e prótons como irradiadores, mas o antimônio é um insumo bem mais barato. Além disso, o IEN tem um dos poucos cíclotrons no mundo operacionais para irradiação alfa. Paralelamente, o instituto também desenvolverá a produção do iodo-124 pelo método convencional.

A AIEA dará ao IEN 4 mil euros para fazer o estudo de viabilidade do novo método. O apoio é consequência de convite feito pela agência para que o instituto participasse de um programa coordenado de pesquisa sobre radiofármacos emissores de pósitrons emergentes, especificamente, o iodo-124 e o cobre-64. “A AIEA conhece o nosso trabalho, pois já apoiou projetos bem-sucedidos do IEN, como a produção em escala comercial do iodo-123 ultrapuro e do 18-FDG [radiofármaco marcado com flúor-18]”, ressalta o pesquisador Gonçalo Rodrigues, responsável pela iniciativa.

Ele afirma que o momento é propício para investir na produção do iodo-124. “O uso desse radioisótopo na tomografia por emissão de pósitrons está despontando. Fora do Brasil, isso já é uma realidade. Aqui, a classe médica também começou a demonstrar interesse. Há um grande potencial para o iodo-124”, explica Rodrigues.

As pesquisas apontam que o iodo-124 poderá ser usado no diagnóstico do câncer diferenciado de tireóide, detectando até mesmo micrometástases. No Brasil, esse carcinoma responde por mais de 90% de todos os tipos de cânceres endócrinos. Além disso, o radioisótopo poderá marcar diversos tipos de moléculas para exames de câncer de rim e de fígado e em neurologia, cardiologia e veterinária, entre outras aplicações.

Fonte: ABEN, Associação Brasileira de Energia Nuclear. Outubro, 1, 2010.

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