Para atacar tipos de câncer resistentes à quimioterapia pesquisadores sugerem que a melhor estratégia não é eliminar o maior número de células possível, mas o mínimo necessário.

Já pensou na possibilidade de, em vez de se tentar curar o câncer, apenas impedir o crescimento dos tumores? Foi exatamente isso que propôs Robert Gatenby, do Moffitt Cancer Center (MCC), num artigo na revista Nature, na ultima semana de maio.

Gatenby está convencido de que altas doses de quimioterapia prejudicam o sistema imunológico do paciente e estimulam o crescimento de novos tipos de câncer resistentes à quimioterapia, sem esperança de cura. Em vez de curar o câncer ele sugere que os médicos tentem estabilizar o tumor num tamanho tolerável.

Isso significa, na prática, a identificação, de um tamanho-alvo para o tumor, que permita ao paciente a melhor qualidade de vida possível. Após essa identificação, seu crescimento seria monitorado por aparelhos de diagnóstico por imagem, como o escaneador de ressonância magnética. Os médicos, então, regulariam as doses de drogas anticâncer para manter os tumores no tamanho prescrito.

Segundo Gatenby, fundador do programa de Oncologia Matemática do MCC, o paradigma frequentemente utilizado até agora para combater o câncer reproduz o processo de tratamento de infecções bacterianas, sempre procurando o “antibiótico” para matar a célula cancerígena. “A estratégia mais comum é a terapia com densidade com doses de alta densidade. Aplicar a maior dose possível no menor intervalo possível resume o tipo de terapia clássico, que faz com que todos adoeçam“, ele observa.

Ele explica que “ao ministrar uma alta dose na terapia, todas as populações de células sensíveis ao tratamento são eliminadas, o que permite o crescimento de células resistentes, em grandes quantidades. Essas células se desenvolvem sob o efeito das doses elevadas. Os modelos matemáticos testados sugerem que sempre haverá populações de células resistentes à terapia no tumor”.

De acordo com a proposta de Gatenby, a analogia que se utiliza atualmente no tratamento do câncer é inadequada. Em vez da comparação entre câncer e infecções bacterianas, deveria ser utilizada uma analogia entre câncer e espécies invasoras. Segundo ele, “o objetivo não é eliminar pragas, porque a ecologia aplicada já mostrou que isso não dá resultado. Em vez disso, ela descobriu que o melhor é mantê-las em nível tolerável. É o que se chama de ‘gerenciamento integrado de pragas’, política adotada pelo departamento de agricultura durante o governo Nixon”.

A partir de modelos matemáticos, Gatenby constata que a melhor estratégia de gerenciamento para um câncer não-curável não é eliminar o maior número de células possível, mas o mínimo necessário. Ele acredita que não é viável eliminar todas as células quimiossensíveis porque elas podem reprimir o crescimento do tumor.

Os resultados de experimentos realizados em ratas com câncer de ovário e foram divulgados na edição de 1 de junho de Cancer Research. Segundo Gatenby, “tumores cancerígenos tratados com altas doses de carboplatina (quimioterapia à base de platina) foram dissolvidos e, desapareceram”. No entanto, em poucas semanas, lá estava ele de volta, crescendo novamente e provocando a morte do animal.

Em vez de aplicar a terapia tradicional (que consiste na aplicação de quantidades fixas de medicamento a intervalos constantes), determinamos o tamanho do tumor e aplicamos somente o medicamento necessário para mantê-lo estável. “As evidências preliminares mostram que, utilizando uma terapia com doses progressivamente decrescentes, fomos capazes de manter o animal vivo e sem sintomas”, observa Gatenby.

Há aproximadamente dois meses, admiti essa hipótese e a reação foi uma mistura de medo e desprezo”. O mais importante dessa reação é o fato de que pacientes e médicos jamais aceitariam a idéia de tratar, mas não curar. Os aspectos psicológicos envolvidos são significativos para aceitar uma terapia que claramente não visa a cura.

Gatenby comenta que “se você tentar curar centenas de pacientes e nenhum se curar, em termos tradicionais do senso comum, você terá que admitir que o tratamento foi ineficaz. Mas agora isso poderá mudar”.

Fonte: por Brendan Borrell para Scientific American Brasil. Junho, 15, 2009.

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