Telômeros encapsulam as extremidades dos cromossomos.
Elizabeth Blackburn, Carol Greider e Jack Szostak, reconhecidos por sua pesquisa com telômeros e telomerase, dividiram o Prêmio Nobel de fisiologia e medicina de 2009.

Os três geneticistas premiados ─ Elizabeth Blackburn, professora de biologia e fisiologia da University of California, em San Francisco, Carol Greider, professora do departamento biologia molecular e genética Escola de Medicina da Johns Hopkins University, em Baltimore, e Jack Szostak, professor de genética do Hospital Geral de Massachusetts em Boston, ─ descobriram os telômeros, código genético que protege as extremidades dos cromossomos, e a telomerase, enzima que auxilia nesse processo. Suas descobertas são importantes no estudo do câncer, envelhecimento e células-tronco.

O trabalho realizado pelos pesquisadores esclarece aspectos importantes sobre a replicação do DNA. À medida que o material genético é copiado, a partir do cromossomo, durante a divisão celular, todo o filamento do DNA precisa ser duplicado de ponta a ponta, caso contrário, partes da informação genética se perderão. Até os anos 80, era considerado um mistério o fato de os cromossomos se replicarem de forma confiável, sem perder nenhuma ponta dos filamentos no processo todo. O estudo, completado este ano pelos laureados, demonstrou como o DNA poderia finalmente ser encurtado e cortado no processo de replicação, se partes da capa que recobre as extremidades do telômero estivesse faltando.

Blackburn e Szostak, que estudaram, respectivamente, as extremidades dos cromossomos e minicromossomos, demonstraram em um artigo publicado em Cell, em 1982, que a sequência de telômeros poderia ser isolada, inserida em outro organismo e até exercer a mesma função. Trabalhando com Blackburn, Greider ajudou a identificar, em 1989, a telomerase baseada no RNA ─ a enzima que cria os principais telômeros, em trabalho publicado na Nature.

As descobertas, desde então, têm sido aplicadas a estudos de envelhecimento, células-tronco e câncer. Pesquisas anteriores de Blackburn e Szostak mostraram que se os códigos fossem encurtados, ocorreria divisão celular mais lenta e envelhecimento precoce no trigo ─ e posteriormente, em células humanas. Desde as primeiras investigações, os cientistas verificaram que códigos defeituosos também desempenhavam papel importante em algumas formas de anemia congênita, uma vez que afetam a divisão de células-tronco da medula óssea. O câncer também pode ser parcialmente provocado por disfunção de telômeros. Dada a rapidez com que as células cancerosas se replicam, elas têm sido alvo de pesquisas mais recente com telômeros, e os tratamentos que se baseiam nesse conhecimento estão em testes clínicos ─ com resultados surpreendentes, até agora.

Embora as descobertas relacionadas a essa pesquisa tenham empolgado oncologistas e geriatras, ainda há muito trabalho pela frente. Esta é a primeira vez na história de 108 anos da premiação que duas mulheres dividiram o prêmio de medicina. Somente oito outras mulheres receberam o Nobel de medicina até hoje.

Fonte: por Katherine Harmon para Scientific American Brasil. Outubro, 13, 2009.

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