Estudos indicam que radiação pode desenvolver câncer em 4% dos pacientes com 35 anos ou mais.

Nos últimos cinco anos cardiologistas têm utilizado cada vez mais uma tecnologia chamada Angiografia Cardíaca por Tomografia Computadorizada (CCTA, na sigla em inglês) para localizar artérias bloqueadas no coração. O procedimento tem uma desvantagem: expõe os pacientes a quantidades de radiação que eventualmente podem provocar câncer. De acordo com um estudo recente, a exposição varia de hospital para hospital, mas a dose média de uma simples tomografia equivale a cerca de 600 radiografias (raios X) tradicionais de tórax.

Thomas Gerber, co-autor do estudo e cardiologista da clínica Mayo, em Jacksonville, Flórida, justifica que a vantagem da CCTA é que ela fornece uma visão direta das artérias do coração, revelando minúsculos bloqueios que poderiam não ser notados num exame tradicional de esforço (teste ergométrico), em que a freqüência cardíaca, respiração, pressão sangüínea e ritmo cardíaco são monitorados enquanto o paciente corre na esteira. A maior preocupação com a tomografia, Gerber observa, é que ela produz imagens utilizando raios X, o que pode aumentar o risco de desenvolver câncer.

De fevereiro a dezembro de 2007 Gerber e seus colegas estudaram os efeitos da exposição à radiação de 1.965 pacientes que receberam a CCTA em 50 hospitais nos Estados Unidos, Europa, América do Sul e Ásia. Eles solicitaram aos médicos que realizaram o exame que anotassem, entre outras coisas, a duração total da tomografia e a intensidade da corrente elétrica utilizada.

Com base nesses dados os pesquisadores calcularam a “dose efetiva de radiação” que cada paciente recebeu; valores que levam em conta a quantidade de radiação e o tipo de tecido do corpo exposto à radiação, como pulmões, tórax e seios. Os resultados variaram bastante ─ entre 5 e 30 milisieverts (mSv) ─ de um hospital para outro; a dose média efetiva de radiação foi de 12 mSv, equivalente a 600 radiografias do tórax, de acordo com o estudo.

Não se conhece bem o potencial desse nível de radiação provocar câncer,” avalia Gerber, “mas não podemos desprezá-lo.

David Brenner, biofísico especialista em radiação do Centro Médico da Columbia University, considera que uma CCTA típica pode aumentar o risco de desenvolver câncer em 4% dos pacientes com 35 anos ou mais. O risco de câncer associado à exposição à radiação é muito maior em pessoas jovens ─ 10 vezes maior para crianças, por exemplo –, mas essa faixa etária é menos propensa a desenvolver doenças cardíacas, de acordo com a Associação Cardíaca Americana, e portanto, é menos provável que precisem se submeter a uma CCTA.

Andrew Einstein, cardiologista da Columbia University, em New York, escreveu um editorial que acompanhou o estudo e foi consultor das empresas que desenvolveram os tomógrafos CCTA. Ele espera que as descobertas, publicadas no Journal of the American Medical Association, sirvam para encorajar os hospitais a utilizar doses menores de radiação quando utilizarem uma CCTA. Ele observa, por exemplo, que em pacientes magros, a quantidade de radiação é menor, porque os tecidos que absorvem raios X são mais finos.

Hospitais com tomógrafos antigos podem substituir esses aparelhos por modelos mais modernos com níveis de radiação mais baixos, como os escâneres seqüenciais, que produzem raios X pulsados em vez de um feixe contínuo, recomenda Einstein.

Isso é importante”, avalia Gerber, “para que os médicos conheçam o verdadeiro potencial de risco.

Fonte: por Coco Ballantyne para Scientific American Brasil. Fevereiro, 12, 2009.

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